Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

‘Trágica coincidência’, diz Lira sobre desfile de tanques em dia de votação do voto impresso

Segundo ele, ato militar não causará problema quanto à analise da PEC; para alguns parlamentares, ato militar foi visto como uma tentativa de intimidação

Pedro Caramuru e Anne Warth, O Estado de S.Paulo

09 de agosto de 2021 | 19h44

BRASÍLIA – O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), classificou como uma “trágica coincidência” a realização de desfile militar nesta terça-feira, 10, convocado pela Marinha nos arredores do Congresso Nacional, em Brasília, pela manhã. Segundo informou a força naval, em nota, um comboio de veículos militares blindados fará parte de exercício militar, a Operação Formosa, promovido pela Marinha e que pela primeira vez contará com a participação do Exército e da Força Aérea.

No mesmo dia, está prevista a votação da proposta de emenda à Constituição (PEC) do voto impresso pela Câmara. Lira marcou a sessão para esta terça-feira, 10, após reunião de líderes nesta segunda-feira. Para alguns parlamentares, o exercício foi visto como uma tentativa de intimidação do Congresso e de influenciar o resultado da votação.

“Não é usual”, disse o presidente da Câmara sobre o exercício militar. “E não sendo usual, em um País polarizado do jeito que o Brasil está, isso dá cabimento para que se especule de algum tipo de pressão. Entramos em contato com o Palácio do Planalto, falei com o presidente e ele garantiu não haver esse intuito”, afirmou o parlamentar. Segundo Lira, em entrevista a O Antagonista, o desfile não deve causar problemas à votação, mas caso parlamentares e a população achem conveniente, seria possível adiar a votação da PEC.

“Essa Operação Formosa acontece desde 1988 aqui em Goiás com movimentações da Marinha. Esse ano serão acrescidos o Exército e a Aeronáutica. Então não é uma coisa que foi inventada, mas também nunca houve desfile na Esplanada dos Ministérios para ir a Formosa (GO) e parar na frente do Palácio do Planalto”, afirmou Lira.

Em nota, a Marinha informou que um comboio de veículos blindados fará parte do exercício militar, batizado de Operação Formosa. A votação da proposta do voto impresso, bandeira de Bolsonaro, também está prevista para esta terça-feira na Câmara. Parlamentares viram o exercício militar que ocorrerá na Praça dos Três Poderes como tentativa de intimidar o Congresso e de influenciar o resultado da votação.

A proposta, de autoria da deputada Bia Kicis (PSL-DF), foi rejeitada na última quinta-feira, 5, pela comissão especial da Casa. Lira puxou a análise para o plenário. O tema tem causado atritos entre o Palácio do Planalto e o Judiciário. Nas últimas semanas, o presidente Jair Bolsonaro fez duros ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e disse que não haveria eleições em 2022 sem voto impresso no Brasil.

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