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Tragédia sem responsáveis

A julgar pelo comportamento das autoridades e dos movimentos de sem-teto, responsabilidade não é de ninguém

Vera Magalhães, O Estado de S.Paulo

01 Maio 2018 | 23h48

Desmoronou um prédio em São Paulo, consumido rapidamente por um incêndio. Morreu pelo menos uma pessoa. O prédio era da União. As pessoas denunciam que pagavam aluguel para viver numa invasão. Diante de uma tragédia dessas proporções, de quem são as responsabilidades? A julgar pelo comportamento das autoridades e dos movimentos de sem-teto, de ninguém.

O governador Márcio França diz que era “mais ou menos esperado” que aquilo ocorresse. Se era assim, o que o governo do Estado fez a respeito?

Michel Temer fez uma aparição-relâmpago no local, a tempo de ser vaiado e admitir que o imóvel era da União, e mais nada.

O ex-prefeito João Doria Jr. diz que o PCC dava as cartas ali, como a justificar por que o poder público não podia fazer nada.

O prefeito Bruno Covas primeiro disse que a Prefeitura fez o que pôde. Depois, chamou uma entrevista coletiva para anunciar outras providências.

Guilherme Boulos, o presidenciável que entrou na política justamente comandando exércitos de invasores como os que ficaram desabrigados nesta terça, desembarcou da Palestina direto para Curitiba, sem nem passar no local do desabamento para prestar in loco a solidariedade que manifestou nas redes sociais. Diz ele que a invasão não “pertencia” ao MTST. Sim, ele usou este verbo.

Os governos e os movimentos de sem-teto são corresponsáveis pela tragédia. Jogar com a necessidade de moradia para fins políticos é tão crime quanto se eximir da responsabilidade de retirar as pessoas de uma invasão a um prédio sem condições de ser habitado.

PAZ NA PGR?

Dodge retoma denúncias da Odebrecht e Janot sai de cena

Alguns movimentos dos grupos de Raquel Dodge e Rodrigo Janot parecem indicar que o auge da disputa interna na Procuradoria-Geral da República já passou. Aliados do ex-PGR elogiaram a consistência da denúncia apresentada pela sua sucessora nesta segunda-feira contra Lula, Antonio Palocci, Gleisi Hoffmann e companhia a partir das delações da Odebrecht. Dizem que ela seguiu a linha adotada inicialmente por Janot. Já o “arqueiro” retirou sua candidatura ao Conselho Superior do Ministério Público, aconselhado por amigos a abandonar a postura de confronto.

PROVA DE FOGO

Delação de Palocci é teste de várias 'inovações'

Não é só o fato de ter sido negociada na PF que torna a delação de Antonio Palocci diferente das anteriores. Ele já tem uma condenação, e a lei que estabeleceu as colaborações não é clara sobre se a polícia pode entrar como negociadora neste momento. Foi por isso que a homologação foi enviada ao TRF-4, e não ao juiz Sérgio Moro. O desembargador Gebran Neto vai dizer se a delação ainda está em tempo e se ele pode ser beneficiado na redução da pena já aplicada.

STAND-BY

Com fila da 'xepa' andando, Leo Pinheiro ainda aguarda

Saíram as colaborações de Antonio Palocci e Renato Duque, ressuscitadas depois que as provas da Odebrecht foram suprimidas de Curitiba e a defesa de Lula se alvoroçou para tirar todas as ações de Moro. E a delação de Leo Pinheiro, da OAS, que estava na mesma fila? Por ora, as chances de ser selada são remotas, mas ele pode entrar na lista dos que podem suprir as lacunas abertas pela decisão da Segunda Turma.

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