Tragédia faz prefeitura de Petrópolis usar galpão para acolher corpos de vítimas

Cerca de 300 pessoas se aglomeravam diante do prédio em busca de informações sobre parentes e amigos desaparecidos.

Rafael Spuldar, BBC

14 de janeiro de 2011 | 19h09

Muitas pessoas usavam máscaras para amenizar o odor diante do IML

Cerca de 300 pessoas se aglomeravam na tarde desta sexta-feira diante do prédio onde estão sendo acolhidos os corpos das vítimas das chuvas em Teresópolis, região serrana do Rio.

O prédio, que fica em frente à delegacia, é na verdade um galpão de 3 mil metros quadrados que estava desocupado. O local vem sendo usado pelas autoridades já que o IML local é pequeno e não comporta os mortos da tragédia, que já passam de 228 pessoas.

Caminhões frigoríficos estavam estacionados próximo ao galpão, para armazenar os corpos de vítimas ainda não foram identificadas.

Entre os parentes e amigos dos desaparecidos, o clima era de extrema preocupação e desespero. Muitas pessoas choravam. Senhas eram distribuídas para os que queriam entrar no local para fazer o reconhecimento dos corpos.

O cheiro de decomposição era intenso e se tornava ainda mais forte quando os portões eram abertos para a entrada dos corpos. Muitas das pessoas usava máscaras ou roupas e panos no nariz para amenizarem o odor.

Voluntários

Entre as pessoas que estão trabalhando no local, há médicos, enfermeiros, estudantes de medicina e advogados. Há ainda defensores públicos, que ajudam a agilizar o processo de registro de óbitos para a liberação dos corpos. A maioria parte dele é de voluntários.

Policiais civis também reforçam o trabalho, especialmente no controle do fluxo de pessoas, já que a rua do galpão foi interditada.

Apesar do clima de tristeza, os trabalhos estão com andando bem. Não há tumultos e as pessoas com senhas estão sendo atendidas em poucas horas.

A diarista Sueli de Mello Costa, 35 anos, aguardava havia duas horas pela chamada de sua senha - e faltavam nove números. Ela e seu irmão estavam em busca de uma sobrinha que desapareceu na localidade de Poço dos Peixes. O marido e a avó da jovem morreram na tragédia.

Segundo Sueli, seu irmão morava ao lado da sobrinha e chegou a vê-la pedindo socorro no momento da enxurrada. Apesar da situação tensa, a diarista disse não tem do que reclamar dos serviços da equipe de identificação dos corpos.

Desaparecidos

Já a dona de casa Marli Vieira, de 41 anos, procura uma tia que desapareceu no bairro de Campo Grande. Meu marido entrou para reconhecer os corpos, mas não identificou ninguém", diz Marli.

Agora, ela pretende recorrer à Defesa Civil para buscar informações para fazer um cadastro de Marli.

Na frente do prédio, um grupo de voluntários anotava os dados das pessoas desaparecidas, justamente para a produção desse cadastro.

Segundo o juiz responsável pelo serviço de identificação, José Ricardo Ferreira de Aguiar, faltavam ser reconhecidos mais de 120 corpos até tarde a tarde de sexta-feira.

No caso das pessoas não identificadas, ele explicou que os corpos são mantidos refrigerados e é colhido material para um exame de DNA.

Depois, se não houver reconhecimento, os corpos são registrados como não identificados. Em seguida, são sepultados, com a possibilidade de exumação caso haja pedidos de reconhecimento.

"O tempo (de resfriamento) depende do número de mortos que chegarem. Quanto maior o número, menor o tempo que os corpos serão mantidos em refrigeração", disse o juiz, explicando que se trata de uma questão de saúde pública.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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