Tráfico sexual está espalhado no Brasil

O tráfico de mulheres, crianças e adolescentes visando à exploração sexual existe em todo o País. No entanto, as causas e a maneira como ele ocorre variam de região para região.Este é um dos resultados de uma pesquisa em fase final de elaboração, realizada por um pool de organizações não-governamentais sob coordenação do Centro de Referências Estudos e Ações sobre Crianças e Adolescentes (Crecria).Quando concluída, a pesquisa será encaminhada à Organização dos Estados Americanos (OEA) e usada na formulação de uma Convenção Interamericana que permita a cooperação entre os países que estão fazendo trabalhos semelhantes.Enquanto no Norte do País o tráfico se organiza a partir de mercados de exploração sexual que se formam no entorno das grandes obras de infra-estrutura, no Nordeste ele se sustenta a partir do turismo sexual. Já na Região Sudeste, está ligado ao turismo de negócios.O Centro-Oeste ? particularmente o Estado de Goiás ? é conhecido como o eixo do tráfico doméstico e internacional por meio do aliciamento de mulheres e meninas para trabalhar em outras regiões e outros países.?As características variam por causa das diferenças culturais e econômicas?, explica a coordenadora técnica da pesquisa, Maria Lucia Leal. Mas diferenças à parte, em todos os lugares o tráfico está ligado às redes de criminalidade ? inclusive internacionais. ?É um mercado globalizado e clandestino?, acrescenta.Justamente por causa disso, é difícil quantificar quantas mulheres e crianças são vítimas, diz Maria Lucia. ?Estamos trabalhando com os registros da Polícia Federal e vamos chegar a uma estimativa. Mas o resultado não vai espelhar fielmente a realidade, justamente porque é uma atividade clandestina, muitas vezes associada ao narcotráfico.?Daí, defende a pesquisadora, a necessidade de melhorar o sistema de notificação e de sistematização dos dados. Por causa dessas características, é importante uma ação que combata, ao mesmo tempo, os diversos tipos de tráfico (de pessoas, de drogas e de armas). ?Esse é um problema mundial. Mas sabe-se que é um negócio muito lucrativo, embora faltem estatísticas precisas?, analisa o presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), Cláudio Augusto Vieira da Silva. Segundo ele, estima-se que todos os anos 500 mil mulheres e crianças vítimas de tráfico transitem pela Europa.O coordenador do escritório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Ruy Pavan, acha que as ações de repressão têm de ser intensificadas. ?É essencial intensificar as ações policiais.?Ao mesmo tempo, defende Maria Lucia, é fundamental que sejam criadas políticas de inclusão social. Para ela, se essas mulheres e crianças tiverem melhores condições de vida, diminuem as chances de elas se tornarem vítimas dos traficantes. ?Muitas vezes, as vítimas não têm noção do risco porque estão em uma situação de vulnerabilidade social?, analisa.

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