Tráfico fecha projeto de vereador na Rocinha

A prática de manter currais eleitorais em áreas carentes do Rio persiste após as eleições. Na Rocinha, uma das maiores favelas do Rio e a principal da zona sul carioca, o vereador Paulo Messina (PV) foi forçado em dezembro a encerrar os cursos de informática que mantinha gratuitamente no local. As atividades ocorriam desde maio e já tinham atendido 1.080 alunos.O fechamento do Instituto Paulo Messina teria sido determinado por traficantes, com o principal objetivo de não ameaçar a liderança política do também vereador Luiz Cláudio de Oliveira, o Claudinho da Academia (PSDC), presidente da Associação Pró-Melhoramentos da Rocinha e dono de uma academia de ginástica na comunidade.Na campanha eleitoral, a polícia encontrou documentos indicando que o chefe do tráfico da favela, Antônio Bonfim Lopes, o Nem, teria promovido reuniões com líderes da comunidade determinando o apoio a Claudinho e impedindo o ingresso de outros políticos na Rocinha. A Polícia Federal instaurou inquérito, a pedido da Procuradora Regional Eleitoral, Silvana Batini. Ontem, ela comentou que as novas ameaças dos traficantes "apenas corroboram" aquilo de que já se tinha notícia. Oficialmente, tanto a Polícia Civil como a Federal desconhecem o fechamento do instituto, pois o vereador não registrou queixa das ameaças de traficantes a um assessor. Disse que não levou o caso à polícia pois já era pública, desde a campanha, a proibição a outros candidatos ingressarem na Rocinha. Ontem, o parlamentar foi procurado pela delegada Bárbara Lomba Bueno, da 15ª DP, da Gávea, e vai relatar o que aconteceu. O deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) proporá à direção do PV que represente à Câmara Municipal contra Claudinho. A Casa, porém, nem sequer possui comissão de ética.

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