Traficante teria dado dinheiro para campanha de deputado

As escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal durante a investigação em torno de Leonardo Dias Mendonça, o Léo, mostram indícios de que o traficante teria ajudado financeiramente a campanha do deputado federal Pinheiro Landim (PMDB-CE), supostamente coordenador de umesquema de concessão de habeas-corpus.Num diálogo com seu sócio, Wilson MoreiraTorres, Léo afirma que esteve pessoalmente com Landim, que pediu ?papel para a campanha?, referindo-se a dinheiro.O diálogo se deu em março deste ano, quando os Estados Unidos colocaram Léo na relação dos traficantes mais procurados do mundo. Ele estava preocupado com a possibilidade de ser extraditado, mas o deputado, segundo Léo, havia recebido informações de uma pessoa de que isso não seria possível.Antes desta conversa, o traficante dissera que não tinha mais dívidas com Landim, a quem chama de ?Véio? nas gravações. ?Reuni com o Véio, entendeu? Eu fui pra mim ver um outro negócio, porque o cara falou que o Véio tava puto comigo (...) Fui lá e conversamos um monte de coisa; ummonte de trem bão, viu? Animei com o garimpo?, disse Leó a seu interlocutor.E foi justamente neste encontro que Landim teria pedido dinheiro para a campanha deste ano, na qual foi reeleito. Na conversa, gravada em março passado, os dois traficantes parecem satisfeitos com o encontro. ?O Véio falou: não, aqui, se vier alguma coisa aqui já fica despreocupado. Mas, nemvem... nem vem porque ele ligou pro cabra, acho que é pro cabra dele lá, o cabra falou:não! Isso é só pra vender jornal, isso é só mídia. Isso aí num tem nada a ver, nãopode (...) ficar tranqüilo. Ainda ele falou o seguinte para mim: manda ele seguir a vidadele e caçar um jeito de arrumar papel pra campanha?, disse Léo para Torres, emmeio a gargalhadas. ?Já num deixou de ser uma cantada, né??, acrescentou Léo.Mas 15 dias depois do suposto encontro entre Landim e Léo, as relações já não eramtranqüilas. Tanto é que houve, de ambas as partes, ameaças de chantagem, mas nãopor parte de Landim e sim de outras pessoas, denominadas como ?o povo queresolve?.Numa conversa entre Léo e Sílvio Rodrigues da Silva ? preso em Goiânia na semana passada e elo entre o traficante e o deputado ? o assunto era uma provável decretação da prisão de Dias Mendonça. ?Seu Antônio (o motorista de Landim, José Antônio de Souza) ligou agorinha pra mim eme deu uma pressão grande. Falou assim: ó Sílvio, não vai esperar mais eles vão mandar prender o Baixinho (Léo) onde tiver, que vai sair um negócio de prisão preventiva, o procurador vai pedir e ele vai ser preso?, disse Sílvio a Léo, que responde: ?Pode me chantagear como quiser. Agora não esqueça de uma coisa: eu também seichantagear, entendeu? Eu nunca cheguei nesse ponto, eu tô correndo atrás?.Depois, Sílvio esclarece que quem faz as chantagens é ?o povo que resolve, o filho docapa preta?, uma referência s Igor Silveira, filho do desembargador do Tribunal RegionalFederal da 1ª Região, Eustáquio da Silveira.Assim como Antônio, Igor figura como umgrande articulador e intermediador junto a integrantes do Poder Judiciário. O motoristade Landim aparece nas gravações como o responsável pelo recebimento de dinheiro echega, inclusive, a ter conversas com Léo em algumas ocasiões.Em uma delas, gravada em abril deste ano, Sílvio é quem se comunica com o traficante, mas coloca Antônio na linha, para informar que já havia enviado o dinheiro, provavelmente para Landim. ?Eu tô aqui com seu Antônio prestando conta do dinheiro aqui, agora, tá??, diz Sílvio a Léo. ?Aí foi mandado R$ 100 mil, né?", continua ointermediário. Em seguida, o próprio traficante faz questão de falar com Antônio: ?SeuAntônio, eu passei uma parte aí, eu só pedi pro Sílvio pra pegar cinco (mil reais) pracomprar umas peças pra mim terça-feira...pra semana que vem eu fecho todo o total,certo??.

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