Tradição dos cartões natalinos se mantém na era da internet

Facilidade de acesso, e-mails gratuitos e rapidez para enviar uma correspondência não são, definitivamente, atrativos convincentes para quem costuma enviar cartões de Natal impressos. Na era da internet, instituições filantrópicas como Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) aproveitam o espírito natalino para engordar sua receita. "Este ano vamos chegar perto dos R$ 100 milhões com a venda de cartões de Natal", comemora o vice-presidente voluntário da AACD, Alex Chafic Maluf. Os cartões representam 10% da arrecadação da instituição, que ainda aposta na venda de brindes. "Apesar das facilidades da internet, não sentimos nenhum abatimento. Pelo contrário, estamos crescendo", acrescenta Maluf. Há 25 anos, a associação vendia 100 mil cartões no período do Natal. Hoje, são 3 milhões. A marca é parecida com as vendas do Unicef, que deve chegar este ano a 4 milhões de unidades. Os cartões do Fundo, que custam entre R$ 1,20 e 1,90, foram os primeiros a serem vendidos no Brasil, segundo o coordenador da área de geração de recursos da Região Sudeste, Afonso Santos Lima. "Hoje, existem cerca de 50 instituições fazendo esse trabalho." Para Lima, o aumento da venda de cartões institucionais pode ser explicado pela mudança da mentalidade do brasileiro. "Vemos que as pessoas estão criando uma mentalidade diferente, estão querendo ajudar quem vive na exclusão." É esse sentimento que faz o diretor de criação Percival Caropreso a optar pelos cartões institucionais nos últimos dez anos. "Ao comprar um cartão institucional sei para onde está indo o dinheiro e o que será feito com ele", justifica. "Além disso, não há risco de receber um vírus pela internet." Para o presidente da Associação de Papelarias Brasil Escolar, Alfonso dos Santos Theiss, a venda de cartões comuns não foi afetada pela internet. "No começo, todos achavam que as vendas de livros e jornais fossem cair, mas isso não aconteceu", diz. Isso, segundo ele, porque o papel ainda tem o efeito de aproximar o leitor do objeto. "Ninguém leva a internet para a cama." A facilidade que os internautas apontam para enviar as mensagens virtuais é justamente o que impede o publicitário Marcelo Ponzoni de se tornar um adepto do sistema. Diretor de uma agência de publicidade, ele prefere criar os próprios cartões e enviá-los, de forma personalizada, a clientes, amigos e fornecedores. "Dá a impressão que, pela facilidade da internet, falta dedicação de quem está enviando", diz. Virtual - Há cinco anos o estudante de veterinária Luiz Fernando Callau, de 27 anos, não sabe o que é mandar um cartão de Natal. Desde que se conectou à internet, todas mensagens desejando felicidades são enviadas por e-mail. "Já esqueci o correio tradicional", diz. Como ele, seu grupo de amigos e parentes também aderiu à internet como forma de manter viva a tradição do cartão de Natal. "Quem não têm computador acaba dando um jeito, mesmo que seja num cibercafé." Para agradar a quem não dispensa o convencional cartão em papel, mas não quer perder tempo em filas, os Correios inovaram com uma opção pela internet. É possível usar o recurso para escolher um cartão, escrever a mensagem e mandá-lo, por R$ 1,80, para qualquer lugar do País.

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