Trabalho infanto-juvenil recua no Brasil

O trabalho infanto-juvenil no Brasil diminuiu 23% de 1992 a 1999, segundo o suplemento brasileiro do Relatório Global - Um Futuro sem Trabalho Infantil, divulgado hoje pela Organização Mundial do Trabalho (OIT) na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em São Paulo. Em 1992 o Brasil tinha 8.423.448 crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos que trabalhavam. Em 1999, o número caiu para 6.648.269 jovens.O diretor da OIT no País, Armand Pereira, afirmou que a queda se deve pela redução em si da utilização da mão-de-obra infanto-juvenil, mas também pelo aumento da informalidade do mercado de trabalho, difícil de ser controlada. Apesar do número favorável, a OIT tem uma preocupação: o ritmo da erradicação do trabalho infanto-juvenil diminuiu. No período de 1992 a 1995, a queda foi de 8,7%; de 1995 a 1998, de 13,6%; e de 98 a 99, de apenas 2,4%. "Ainda não sabemos as razões da diminuição da taxa de erradicação", disse Pereira."A experiência brasileira no combate ao trabalho infantil é vista pela OIT de forma emblemática, senão até como modelo entre outros países em desenvolvimento", destaca o suplemento brasileiro do relatório. No Brasil, 85% dos jovens que trabalham estão na faixa dos 5 aos 15 anos; os outros 15% têm entre 16 e 17. Do total, cerca de 870 mil trabalham em atividades perigosas e insalubres.Pereira afirmou que o Brasil precisa cuidar mais das crianças expostas ao trabalho com os narcotraficantes e no turismo sexual. "A questão da prostituição infantil, do turismo sexual, é mais de polícia do que de políticas de erradicação do trabalho infantil", afirmou Pereira.De acordo com o 1º vice-presidente da Fiesp, Carlos Roberto Liboni, o foco de investimento para a erradicação do trabalho infanto-juvenil é a educação. "Educação formal, estudo, e educação familiar, de ensino de valores", afirmou. A Fiesp, segundo ele, tem um compromisso com o fim do trabalho infantil. "Tentamos mudar isso no nosso ambiente, o empresarial, e ainda damos educação para crianças e adolescentes no Sesi e no Senai", disse.A Fiesp recebeu há duas semanas o título de Empresa Amiga da Criança, outorgado pela Fundação Abrinq. Liboni defende que as empresas que utilizem mão-de-obra de crianças e adolescentes tenham seus produtos preteridos em benefício daqueles de empresas que só usam trabalho adulto. "É uma maneira eficaz de combater o trabalho infantil", argumentou.A OIT nomeou hoje o ex-jogador de futebol e empresário Arthur Antunes Coimbra, o Zico, embaixador da organização no Brasil. "Vivemos num País com grandes dificuldades. Se somarmos esforços, juntos conseguiremos o desenvolvimento dele por meio das nossas crianças", disse Zico.

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