Trabalhadores rurais invadem Incra em PE

Com quatro bois doentes e cachos de banana mirrada, cerca de 500 trabalhadores rurais ligados à Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Pernambuco (Fetape) invadiram, nesta quarta-feira, às 11h30, a sede do Incra, no Recife, para protestar contra a falta de liberação de crédito e de assistência técnica para os assentados.Eles também denunciaram a falácia do programa de reforma agrária pelos Correios, do governo federal. Com recibos comprovando o cadastramento no programa, há um ano, trabalhadores que se encontram acampados à espera de vistoria e desapropriação de terra garantiram que até agora nada aconteceu."Tudo mentira""Não funciona", disse Severino Barbosa, que há um ano e quatro meses integra um acampamento às margens da BR-101, no município de Ribeirão, na zona da mata. "É tudo mentira do governo federal".Ao chegarem, eles interditaram a Avenida Rosa e Silva, onde se localiza o Incra, por 10 minutos, e quebraram os cadeados dos portões para entrar e ocupar o pátio interno do órgão. Não houve expediente.?Perdi cinco bois?A manifestação fez parte do dia nacional do Grito da Terra Brasil, coordenado em todo o País pela Confederação dos Trabalhadores na Agricultura (Contag). Na pauta de reivindicações, os trabalhadores pedem R$ 27 milhões para crédito de agricultura, infra-estrutura e assistência técnica para 106 assentamentos com 6.636 famílias. Outras 2,5 mil pessoas estão distribuídas em 103 acampamentos.Segundo o diretor de política agrária da Fetape, João Santos, os bois e as bananas foram levados ao Incra para denunciar que, por falta de recursos e de assistência, a produção agrícola e os animais criados pelos assentados estão prejudicados."Eu já perdi cinco bois", afirmou João Barreto de Melo, 50 anos, coordenador do assentamento Serra, em Vitória de Santo Antão. "Falta capacitação para os trabalhadores saberem tratar os animais e a terra e dinheiro para comprar vacinas e medicamentos".Plantação prejudicadaEle afirmou que 90% da plantação de banana se perdeu porque o produto não se desenvolveu. Os trabalhadores deixaram o Incra à tarde e foram em passeata até a Assembléia Legislativa para pedir o apoio de deputados estaduais, que ajudaram a intermediar as negociações com o superintendente regional do órgão, Geraldo Eugênio.Foi marcada uma reunião com Eugênio, para discussão da pauta, na Assembléia, nesta quarta à noite. Durante a ocupação do Incra, 25 homens da Polícia Militar - 20 deles do Batalhão do Choque - ficaram na área, do lado de fora, para evitar conflito.

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