Trabalhadores rurais do Piauí prometem saques e ocupações

Os trabalhadores rurais que vivem na região do semi-árido estão articulando uma mobilização que pode resultar em ocupação de prédios públicos, fechamento de rodovias e saques em armazéns na primeira semana de agosto. O movimento é articulado pela Federação dos Trabalhadores em Agricultura, Movimento Sem Terra (Fetag) e sindicatos de trabalhadores rurais. Os trabalhadores alegam que estão em estado de calamidade há vários meses sem assistência do governo federal.O secretário de Defesa Civil do Estado, Fenelon Rocha, disse que foram alocados R$ 3,5 milhões junto ao Ministério da Integração Nacional para atender cerca de 158 municípios em estado de calamidade no Piauí. Os recursos são suficientes para atender estas cidades apenas com abastecimento de água através de carros-pipa. A solicitação de recursos devido a situação de emergência foi feita pelo governo do Estado no início do ano e requeria R$ 20 milhões para atender a situação emergencial.Segundo o vice-presidente da Fetag, Evandro Luz, uma comissão do governo federal está vindo esta semana à Teresina para observar in loco a situação e fazer um diagnóstico da situação no semi-árido. Luz afirmou que até agora as entidades que representam os trabalhadores rurais nunca tiveram resposta por parte do poder público quanto ao atendimento dos trabalhadores em estado de calamidade porque perderam toda a safra agrícola. "Só fazem promessas. O dinheiro que disseram que vinha, R$ 3 milhões, vai servir para contratar 220 carros-pipa, mas não tem frente de trabalho, não tem cesta básica de alimentação e tudo continua na mesma", alegou o vice-presidente.Luz disse que os sindicatos registraram um grande número de trabalhadores dando entrada nos hospitais devido a fraqueza por falta de alimentação. "Não podemos permitir que as pessoas morram de fome, sem tomar providências. O povo está fraco por falta de alimentação e água. Nossa preocupação é que no mês de agosto, o tempo fica mais quente e piora ainda mais a situação", argumentou.Até agora estão definidos pelo menos três pontos no Estado onde terão mobilizações. A preferência é por Picos, São Raimundo e Canto do Buriti ou Eliseu Martins. "As ações serão: fechar rodovias, ocupar prédios públicos, e possivelmente realizar saques?, afirmou. Levantamento feito pelas entidades dos trabalhadores registra um número de 1,2 a 1,3 milhão de pessoas afetadas, se contar com a população urbana das pequenas cidades. "Não podemos ficar esperando uma missão do governo federal que parece não acreditar no que está se passando no Piauí", avaliou Luz.A Fetag tem criticado as ações do governo federal. Eles alegam que a situação é emergencial, mas até agora, depois de seis meses, ainda não adotou nenhum medida para socorrer os trabalhadores que sobrevivem no semi-árido.

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