Trabalhadores narram escravidão em fazenda de senador do PFL

Os 32 trabalhadores rurais libertados nesta quinta-feira por fiscais do Ministério do Trabalho, Ministério Público do Trabalho e pela Polícia Federal numa fazenda de propriedade do senador João Ribeiro (PFL-TO), no município de Piçarra, no sul do Pará, trabalhavam cerca de 12 horas por dia, inclusive aos sábados e domingos, estavam a um mês sem receber pagamento e pagavam pelas ferramentas que utilizavam. Não dispunham de banheiro nos barracos onde moravam e eram obrigados a fazer as necessidades no mato. O senador João Ribeiro não quis dar entrevista. Um assessor afirmou que ele foi submetido a uma cirurgia na boca e não está podendo falar.Em depoimento na sede da PF em Araguaína (TO), para onde foram levados, eles disseram que não podiam deixar a fazenda, localizada numa região de difícil acesso, no meio da selva amazônica, onde as estradas nesta época do ano transformam-se em atoleiros. A água servida nos alojamentos era colhida diretamente do rio Araguaia. Os trabalhadores contaram ter sido contratados para desmatar uma grande área para a formação de pasto. No final de 12 horas de trabalho, pegavam uma balsa, atravessavam o rio Araguaia durante 40 minutos e faziam uma longa caminhada pela mata até o local onde iriam dormir.O procurador do Ministério Público do Trabalho, Marcelo José Fernandes da Silva, que participou da operação de resgate dos trabalhadores, disse que as condições do local eram as piores possíveis. "Os barracos eram cobertos com palha de babaçu e não tinham paredes. Nós dormimos na sede e o local é totalmente imundo. O chão é de terra batida e chove muito dentro da casa". Para Silva, o trabalho "degradante e desumano" praticado na fazenda de um senador da República é mais grave. O procurador disse que vai propor uma ação civil pública contra o senador.Em outra operação no sul do Pará, 18 trabalhadores, incluindo um jovem de 16 anos, foram vítimas de aliciamento para trabalho degradante em Marabá. A Fazenda Cabaceiras, de propriedade da empresa Jorge Mutran Exportação e Importação Ltda, descumpria normas trabalhistas e submetia os empregados a falta de condições adequadas de alimentação, alojamento, saúde e segurança do trabalho. O procurador do Ministério Público do Trabalho, Marcelo Ribeiro, disse que já existem outras ações tramitando na Justiça contra a empresa por irregularidades. Uma delas é uma ação civil pública com pedido de indenização de R$ 1 milhão.

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