Trabalhadores da Contag invadem prédio da Sudene

Com faixas dizendo "chega de promessas, basta de esmolas" e carregando sacos de espigas de milho que não se desenvolveram devido à seca, cerca de 500 trabalhadores rurais de sete Estados nordestinos, ligados à Contag, ocuparam nesta manhã o saguão do prédio da extinta Sudene, no Recife. Eles levaram colchões e prometem permanecer no local até negociarem uma pauta de reivindicações relativas à estiagem, entregue em junho ao ministro do Desenvolvimento Agrário e coordenador da seca, Raul Jungmann. "O governo está agindo como se não existisse seca. Por isso estamos aqui, para acordar as autoridades para uma realidade que está afetando dois milhões de trabalhadores", afirmou o secretário de política agrária da Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Pernambuco, João Santos. Os agricultores querem conversar com Jungmann e com o ministro da Integração Nacional, Ramez Tebet, a fim de que um programa efetivo de atendimento emergencial, mas principalmente de convívio com a seca, seja realizado. Trabalhadores de todas as federações nordestinas (exceto Bahia e Maranhão) participam da manifestação, animada por uma banda de zabumba, pandeiro e triângulo. "O plano do governo federal não saiu do discurso e até agora os trabalhadores receberam apenas uma cesta básica pequena e em número insuficiente", afirmou o presidente da Contag, Manoel Santos, frisando que o número de vagas para o alistamento no bolsa-renda não atende nem metade dos flagelados e que o seu valor (R$ 60,00 mensais) é o mais baixo de todas as emergências (anteriormente, se pagava meio salário mínimo). Ele ressaltou ainda que, até o momento, não houve nenhuma movimentação do governo federal visando a alfabetização e a capacitação desse pessoal quanto a tecnologias de convívio com a seca, como propagado pelo ministro Jungmann. ViolênciaO número insuficiente de vagas e de cestas tem gerado violência, de acordo com o presidente da Federação dos Trabalhadores do Piauí (Fetag-PI), Adonias Higino de Souza. Ele contou que o presidente do sindicato rural do município piauiense de São Francisco de Assis, Elísio Epaminondas, apanhou de flagelados que entraram em desespero por não terem sido contemplados pelo programa governamental. "É uma situação de risco, e muitos companheiros chegaram a receber ameaça de morte por isso", denunciou. De acordo com o governo federal, 732.454 pessoas de 864 municípios castigados pela seca (do total de 1.031 localizados no semi-árido) terão direito ao bolsa-renda, que começará a ser distribuído amanhã, segundo informação de página oficial na Internet. Para a Contag, a situação ficaria um pouco melhor se fossem atendidos pelo menos 1,2 milhão, o mesmo número de beneficiados na última seca. A assessoria do ministro Jungmann no Recife informou que não será pedida judicialmente a reintegração de posse do prédio, como demonstração de boa vontade, desde que os trabalhadores não ultrapassem os limites do saguão. Mas só haverá negociação com a desocupação do imóvel.

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