Tourinho teme que CPI não apure nada

O presidente do Tribunal RegionalFederal (TRF) da 1ª Região, Fernando Tourinho Neto, afirmou nesta terça-feira que a demissão do ministro do Desenvolvimento Nacional, Fernando Bezerra,pode representar um efeito dominó por causa das denúncias de irregularidades nos órgãos públicos.Tourinho Neto defendeu acriação da CPI da Corrupção, mas ressaltou que ela pode ser restritiva. ?Temo que acabe não apurando nada. É muita coisa?,disse o presidente do TRF.Tourinho Neto esteve em Palmas para abrir um encontro sobre Justiça Federal e não poupou críticas ao Executivo, chamandode ?desastrosa? a atuação do governo durante uma palestra sobre a reforma do Judiciário.?É preciso modificar o Judiciário, masdepende de uma política governamental. Nessa política econômica neoliberal, desastrosa, que traz recessão e desemprego nãose vêem benefícios do Tesouro Nacional para a população. Vai tudo para o FMI (Fundo Monetário Internacional)?, disse o juiz. ?Muita coisa melhorou, mas é tão pouco que o povo está abaixo da linha da miséria.?Ao falar sobre as denúncias de fraudes nasSuperintendências do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e do Nordeste (Sudene), Tourinho Neto afirmou que elas não sãonovas.Ele citou como exemplo artigo que leu em jornal há quase 15 anos. ?Em 1987 já se falava nisso?, observou o juiz,ressaltando que muitos casos vieram à tona por causa das denúncias na imprensa.?A certeza da impunidade leva ao aumento da corrupção. Como a Justiça é lerda, morosa, eles jogam com isso?, disse opresidente do TRF.Segundo ele, várias pessoas achavam que não seriam atingidas pelas denúncias da Sudam e Sudene até sechegar à demissão do ministro Bezerra. ?Foi um atingido, e lá veio o efeito dominó?, disse Tourinho Neto, acrescentando: "Apareceu um caso aqui, outro alí, e vai aparecendo.?Tourinho acredita que a CPI da Corrupção, da qual é defensor, só irá darcerto se se restringir a alguns casos. ?É muita coisa que se fala, são muitos os fatos. Tenho medo de que não se apure tudo, e serácomo aquele ditado que diz que quem é de todos não é de ninguém?, afirmou o juiz.

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