Tortura é como um câncer, afirma Dilma

Ex-militante política na ditadura, presidente se emociona durante cerimônia de posse de integrantes do Comitê Nacional de Prevenção e Combate à Tortura

Tânia Monteiro, Rafael Moraes Moura e Daiene Cardoso, O Estado de S. Paulo

25 de julho de 2014 | 12h49

Atualizado às 13h08

Brasília - Ex-militante política durante a ditadura, a presidente Dilma Rousseff comparou a tortura a um "câncer", durante a cerimônia de posse do Comitê Nacional de Prevenção e Combate à Tortura, no Palácio do Planalto, nesta sexta-feira, 25.

A presidente foi militante das organizações armadas Colina e VAR-Palmares e chegou a ser presa e torturada pela repressão. Em sua fala, Dilma afirmou que o Brasil tem uma larga sistemática de tortura que não começa na ditadura, mas é uma herança ligada à escravidão. "A tortura é como um câncer", afirmou a presidente, dizendo que como a doença, ela começa em uma célula e depois cresce e se espalha.

A presidente deu posse nesta manhã aos 23 integrantes do colegiado criado para atuar em instituições de privação de liberdade, como delegacias, penitenciárias, locais de permanência para idosos e hospitais psiquiátricos. O grupo terá como atribuições a avaliação e a proposição de ações de prevenção e combate à tortura.

A presidente se mostrou otimista com a perspectiva do combate ao crime de tortura no País uma vez que, segundo ela, o Brasil nunca esteve tão preparado para a combater e prevenir. Para Dilma, o momento faz parte do processo de mudança pelo qual passa o País. Ela avisou aos integrantes do novo Conselho que eles terão "um longo trabalho pela frente". "A morte por tortura é das coisas mais hediondas que a gente pode conceber que se pratique contra o ser humano", afirmou.

Ao final da cerimônia, Dilma se emocionou e fez um desabafo à ministra Eleonora Menicucci (Secretaria de Política para Mulheres). "Quem diria, Menicucci, nem nos nossos sonhos um dia a gente imaginaria que participaria da criação de um comitê como esse", disse a presidente após a foto oficial do evento. Dilma e Eleonora foram colegas de prisão no período da ditadura militar./Colaborou José Roberto Castro  

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