Tortura ainda generalizada no Brasil, diz Anistia

A Anistia Internacional, em seu relatório anual divulgado hoje em Londres, disse que a "utilização da tortura e maus tratos continuou generalizada e sistemática em todo o sistema de justiça criminal" brasileiro em 2001. Segundo a principal organização internacional de defesa dos direitos humanos, isso ocorreu tanto no momento da detenção, como nas delegacias de polícia, prisões e centros recuperação para menores. "Em vários Estados houve motins de grande escala em prisões e centros de detenção para jovens, principalmente devido aos problemas crônicos do sistema penal e das condições cruéis, desumanas e degradantes das prisões", disse a Anistia Internacional. "Policiais e esquadrões da morte ligados às forças de segurança foram responsáveis por numerosas mortes de civis, incluindo crianças, em circunstâncias que indicam representar execuções extrajudiciais."ImpunidadeSegundo a Anistia Internacional, "ativistas da reforma agrária, ambientalistas e populações indígenas nas zonas rurais foram mortos ou atacados por policiais militares ou homens armados contratados por proprietários rurais locais". Além disso, "ativistas de direitos humanos continuaram a ser vítimas de ameaças e agressões". A entidade salientou que "que houve importantes julgamentos de violadores dos direitos humanos mas, no entanto, a maioria dos responsáveis pelos abusos continuou impune". Em 2001, segundo o relatório, ocorreram execuções extrajudiciais em 47 países, execuções amparadas pela Justiça em 27 países, "desaparecimentos" em 35 países, casos de tortura e maus tratos em 111 países e "prisioneiros de consciência" em pelo menos 56 países. A Anistia Internacional, acredita, no entanto, que os números reais são bem superiores.TerrorismoA Anistia afirmou que os eventos de 11 de setembro foram um crime contra a humanidade que chocaram e mudaram o mundo. "Entretanto, alguns governos abraçaram a bandeira do antiterrorismo e aproveitaram a chance para aumentar a repressão, enfraquecer a proteção aos direitos humanos e reprimir a dissidência política".

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