Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Torquato sugere que definição sobre continuidade de Daiello pode durar três meses

Novo ministro da Justiça não confirma permanência de Daiello no comando da Polícia Federal

Tânia Monteiro, Carla Araújo e Leonencio Nossa, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2017 | 18h14

BRASÍLIA - O novo ministro da Justiça, Torquato Jardim, não confirmou a permanência de Leandro Daiello no comando da Polícia Federal. Em sua primeira entrevista coletiva, nesta tarde, no Palácio do Planalto, ele evitou responder demarcação de terras indígenas e ironizou uma pergunta sobre a falta de experiência dele na área da segurança pública em meio à grave crise de violência nas cidades e no campo. "Minha experiência com segurança pública foi ter duas tias e eu próprio que fomos assaltados em Brasília e no Rio de Janeiro", respondeu, em tom de ironia. "A pasta é muito grande. Ninguém chega lá conhecendo tudo."

Na conversa com os jornalistas, logo após tomar posse, Torquato Jardim disse que iniciará conversas com o diretor-geral da Polícia Federal para tomar uma decisão. A primeira delas ocorrerá durante viagem que fará com Daiello para Porto Alegre, nos próximos dias. "Só daqui a três meses poderei responder a pergunta", disse ao ser questionado sobre uma possível mudança na cúpula da polícia.

Ele chegou à entrevista com uma folha de papel com cinco "questões" abordadas pela imprensa desde domingo, quando o presidente Michel Temer decidiu transferi-lo da pasta da Transparência para a Justiça. A Lava Jato foi o primeiro item lido por ele. Ao comentar sobre o tema, Jardim rebateu a avaliação de que tem posição contrária à continuidade da Lava Jato e que irá usar a PF para neutralizar os agentes federais que atuam na força-tarefa da operação. "A Lava Jato é uma demanda da sociedade brasileira", afirmou. "Não deve haver dúvida alguma de que apoio a Lava Jato" completou. "A Lava Jato é uma vontade de Estado, uma oportunidade única para o Brasil ter um novo momento de ética pública."

No segundo item, ele disse que deverá fazer mudanças "mínimas" de pessoal no Ministério da Justiça e, em especial na Polícia Federal. A permanência de Daiello dependerá de uma série de avaliações, segundo ele. Questionado se essa dúvida sobre a continuidade do diretor-geral da PF não é uma forma de enfraquecê-lo, Jardim disse que ele próprio, como ministro, depende de avaliações constantes. "Eu também estou sendo avaliado. Posso ir embora a qualquer momento."

A terceira questão lida por Jardim foi a avaliação de que foi escolhido para o ministério para atuar, na prática, como advogado do presidente da República no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), órgão que vai julgar ação contra a chapa Dilma Rousseff - Michel Temer nas eleições de 2014. O novo ministro disse que, se fosse para atuar na "sombra", era melhor ir para "advocacia" ou permanecer na Transparência, ministério de menor expressão.

Jardim, ao ler o quarto item, comentou especificamente sobre o processo contra Temer no Supremo Tribunal Federal (STF), a partir da delação do empresário Joesley Batista, dono da empresa JBS. Batista gravou conversa polêmica com Temer no Palácio do Jaburu. O ministro da Justiça afirmou que precisava ler os autos para tomar uma posição. Um jornalista, depois, perguntou se cabia a um ministro atuar nesse caso. Jardim, então, retrucou que precisava conhecer o processo até para "responder" perguntas da imprensa. Por fim, ele descartou a possível extinção do Ministério dos Direitos Humanos e a volta do tema para a Justiça. 

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