Torço para que decisão sobre Renan seja respeitada, diz Lula

Na Suécia, presidente não concorda que uma eventual absolvição do senador cause uma crise institucional

Agência Brasil

11 de setembro de 2007 | 13h42

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira, 11, durante visita ao Parlamento sueco, que torce para que a decisão do plenário sobre a cassação ou não do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) seja respeitada. Perguntado qual seria a melhor decisão para o governo, Lula foi enfático: "Para o governo, o melhor é que a decisão da instituição seja respeitada". Veja também: Planalto vê fim da linha para senador Lobista ligado a Renan recebeu dólares em NY  Veja especial do caso Renan  Renan pede voto por telefone e aliados temem reviravolta      O presidente não concorda que uma eventual absolvição do senador alagoano cause uma crise institucional no País, como sugeriu um jornalista presente à entrevista coletiva. "Quer dizer que se absolver vai ter problema e se condenar não tem problema?", questionou.  Para Lula, independentemente da decisão do plenário, nada impede que o Ministério Público dê continuidade às investigações sobre Renan. O senador é acusado de ter contas pessoais pagas por um funcionário de uma empreiteira. Ao chegar nesta tarde ao Congresso, Renan descartou a possibilidade de renunciar ao cargo ou pedir licença da presidência da Casa. "Qualquer coisa que diga respeito a licença ou renúncia não faz parte da minha personalidade', disse. Renan lembrou que durante 120 dias "com sofrimento e com exposição da minha família venho lutando para provar minha inocência". E acrescentou: "Por isso, não tem sentido, absolutamente nenhum sentido que agora se faça isso (renúncia ou licença)." 'Preservar o Senado' Mais cedo, o  senador Renato Casagrande (PSB-ES), um dos três relatores do parecer que pede a cassação do mandato do presidente do Senado, disse confiar que a maioria dos senadores vai decidir anesta quarta-feira, 12,  por preservar a instituição, em vez do colega parlamentar. "O Senado vai ser julgado. Vamos condenar o Senado ou inocentar o Renan. Para inocentar o Senado teremos que condenar o Renan", afirmou.  Casagrande disse estar "muito confiante" que a instituição vai responder às expectativas da opinião pública. Para ele, se Renan continuar no comando da Casa, a crise vai continuar. Quanto à possibilidade de Renan renunciar à presidência, o relator acredita que a iniciativa resolveria o problema do próprio Renan, mas não o da instituição Senado. "Vamos ter um resultado que vai referendar a preservação da instituição", disse.Já o senador Delcídio Amaral (PT-MS) prefere não fazer nenhum prognóstico sobre o resultado. Segundo ele, os partidos estão divididos. "Estão tão divididos que quem arriscar um palpite sobre o que vai acontecer amanhã, ou está por fora do que está acontecendo, ou está mentindo", disse.Delcídio informou que o PT vai se reunir logo mais para analisar o quadro, mas ele não acredita que desse encontro saia uma orientação sobre a forma como os petistas deverão votar. "Não haverá posição no sentido de absolver ou condenar", frisou.  Sessão aberta Às vésperas do julgamento em plenário, na sessão que decidirá o futuro político de Renan, os senadores petistas Delcídio Amaral (MS) e Eduardo Suplicy (SP) apresentaram à Mesa Diretora da Casa um projeto de resolução para "abrir" a sessão. Diante disso, Renan admitiu em conversa com aliados que vive o dilema de já não saber quem está ou não ao seu lado.  A Constituição (Art. 55) e o Regimento Interno do Senado (Art. 197) dizem que, além de o voto dos senadores ser secreto, a sessão também terá de ser fechada - sem a presença da imprensa e de funcionários do Legislativo, só com os parlamentares no plenário.  A tentativa de Suplicy e Delcídio de alterarem o regimento para "abrir" a sessão dificilmente será bem-sucedida. O problema maior é conseguir aprovar o projeto a tempo de valer para a sessão de quarta.  "Se a maioria não aprovar o projeto de resolução, então a votação não deverá ser eletrônica, pelo painel, mas por meio de cédula", disse o senador Gerson Camata (PMDB-ES). A idéia de votar em cédula é para permitir que os senadores usem os celulares para fotografar seus votos. Em entrevista à Rádio Jovem Pan, o senador Álvaro Dias (PSDB) disse que não defende a alteração do regimento interno do Senado para que a sessão seja aberta. Dias advertiu que, se o pedido dos petistas for feito, Renan não será julgado pelo plenário em 2007.  O julgamento se refere à acusação de que Renan teria tido despesas pessoais pagas pelo lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior. Entre as despesas, pensão e aluguel à jornalista Mônica Veloso, com quem o senador tem uma filha fora do casamento. Antes de chegar ao plenário, a denúncia foi investigada pelo Conselho de Ética, que, na semana passada, aprovou parecer em defesa da cassação por 11 a 4. 

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