Toninho tinha conflitos com PT de Campinas

O homicídio do prefeito de Campinas, Antonio da Costa Santos, de 49 anos, encerra de forma dramática uma carreira política que foi marcada, na mesma medida, pela fidelidade ao PT e conflitos com setores petistas que não lhe eram favoráveis na cidade. Ao contrário da maioria dos petistas campineiros, oriundos do movimento sindical, o arquiteto e urbanista Santos se destacou por atuar em movimentos na área de preservação urbana e arquitetônica da cidade, como o Febre Amarela, que tinha por objetivo recuperar o patrimônio histórico de Campinas, o terceiro município mais populoso do Estado de São Paulo, com cerca de 1 milhão de habitantes. Filho de uma família abastada e proprietário de diversos imóveis na cidade, Toninho morou durante muitos anos numa casa antiga (pertencente à sua família) tombada pelo patrimônio histórico de Campinas, que ele chegou a abrir várias vezes à visitação pública. Ele deixou esta residência após ter sido assaltado no ano passado, na época das eleições municipais, quando estava com sua esposa em seu automóvel. Pensando na segurança da família (a esposa e uma filha adolescente), ele se mudou para um condomínio localizado numa área nobre da cidade, próximo do local onde ele foi morto ontem. Mas continou a dispensar a segurança e só usava o carro oficial a trabalho.Toninho, como era conhecido, chegou ao poder em 1989, quando era vice-prefeito de Jacó Bittar, (um petista histórico que hoje está no PSB). Toninho chegou a ser secretário municipal de Obras, mas rompeu com Bittar ao denunciar supostas irregularidades em obras públicas e quando o prefeito se aproximou do então governador Orestes Quércia (PMDB), que também tem sua base eleitoral em Campinas. Após um período de relativo afastamento do partido, ele disputou a eleição para a prefeitura de Campinas em 1996 e teve um desempenho razoável, mas não chegou ao segundo turno. Nesta eleição, vencida por Francisco Amaral (PPB, que já tinha sido prefeito da cidade nos anos 70), ficou evidente um racha no partido, principalmente por setores ligados à área sindical, que relutaram em dar seu apoio a Toninho. O presidente de honra do PT, Luis Inácio Lula da Silva, também não se empenhou na campanha de Toninho, sobretudo por ser amigo pessoal de Bittar, que também disputou esta eleição. Toninho venceu as eleições do ano passado com 59,8% dos votos contra Carlos Sampaio (PSDB), o Carlão, com 40%, no segundo turno. A sua administração vinha sofrendo críticas da oposição pelo excesso de lentidão nas decisões administrativas, inclusive na área de segurança pública.O secretário de Negócios Jurídicos e Cidadania de Campinas, Nilson Lucílio, disse hoje que não acredita que a morte violenta de toninho possa criar uma crise na prefeitura de Campinas. Ele avalia que a tendência da vice-prefeia, Isalene Tiene, ligada ao movimento sindical dos professores, seja a de manter o atual secretariado, pelo menos numa fase inicial. O secretário acha que ainda é cedo para avaliar se o homicídio do prefeito pode causar um alto impacto negativo na população de Campinas, uma cidade com alto índice de criminalidade.

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