Toffoli defende que Justiça não faça 'caça às bruxas' na política

Presidente do TSE afirma que combate à corrupção deve ser feita de 'maneira racional' para evitar a 'criminalização da política'

Fausto Macedo, O Estado de S. Paulo

05 de setembro de 2014 | 14h24

No Plenário do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo, Corte que nas últimas semanas rejeitou quase 70 candidaturas de políticos enquadrados na Lei da Ficha Limpa, entre elas a do deputado Paulo Maluf (PP), o ministro Dias Toffoli, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), disse nesta sexta-feira, 5, que a Justiça deve agir de maneira racional. 

"Temos de combater aqueles que não tenham condições de ir para a vida pública por razões pretéritas de condenações, de malversações, de ações dolosas, temos e temos instrumentos para fazê-lo. Temos que evitar aquele que comprou voto, que corrompeu uma eleição. Mas temos que fazer isso de maneira racional, cumprindo a Constituição, se não daqui a pouco a Justiça acaba se desmoralizando se ela for agir banindo da vida pública todos aqueles que estão nela."

Dias Toffoli fez a palestra de encerramento do 2.º Curso de Pós-Graduação e Especialização em Direito Eleitoral e Processo Eleitoral, da Escola Judiciária Eleitoral Paulista.Ele revelou preocupação do que chamou de "criminalização da política". "Temos que continuar tendo respeitados dialongando com o mundo político e não criminalizando o mundo político", declarou o presidente do TSE.

"O mundo político não pode ser criminalizado como um todo, ele vai ser ajudado pela Justiça Eleitoral quando nós tivermos aqueles elementos que realmente não tenham condições de participar do mundo político, mas isso não pode significar uma caça às bruxas, algo indiscriminado, algo que leve a que todo o sistema político chegue uma hora e fale 'essa Justiça Eleitoral é que está sendo antidemocrática'." O ministro sinalizou: "Temos que ter muito cuidado". 

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