Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Todos os partidos me procuraram 'desesperados' por recursos, diz Jucá sobre fundo partidário

Relator do orçamento sai em defesa da presidente Dilma Rousseff, que sancionou aumento do fundo, e lembra que siglas pediram valor ainda maior que os R$ 867,5 milhões aprovados

Isadora Peron e Ricardo Brito, O Estado de S. Paulo

23 Abril 2015 | 16h04

Brasília - O aumento dos recursos do Fundo Partidário em tempos de ajuste fiscal se transformou em crise interna no PMDB. Desde a sanção do Orçamento pela presidente Dilma Rousseff sem veto aos R$ 867,5 milhões reservados para custear as legendas, lideranças da sigla deram declarações conflitantes sobre o assunto, rompendo um histórico recente de discurso mais coeso.

Após os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), criticarem Dilma por não ter vetado a emenda que triplicou a verba, o relator do Orçamento, senador Romero Jucá (PMDB-RR), saiu em defesa da petista nesta quinta-feira, 23.


“Quero fazer aqui justiça: a presidente Dilma sancionou uma proposta de todos os partidos. Ela não tem responsabilidade quanto a isso. Essa foi uma posição do Congresso”, disse Jucá na tribuna. O senador afirmou que as legendas pediram que o acréscimo fosse de R$ 1,2 bilhão, mas, por causa da atual situação econômica, resolveu apresentar um valor menor.

“Fui procurado pela grande maioria dos partidos políticos, todos apavorados. Não havia recursos para que os partidos pudessem funcionar neste ano. Por conta de várias questões políticas, as doações empresariais cessaram”, afirmou Jucá, sem citar a Operação Lava Jato, apontada como principal motivo para a queda na arrecadação das legendas.

A falta de sintonia na cúpula do PMDB também opôs Renan e Cunha em relação à regulamentação da mão de obra terceirizada, aprovada pelos deputados e à espera de análise dos senadores. Na polêmica do Fundo Partidário, o vice-presidente Michel Temer foi obrigado a se corrigir, depois de dizer que Dilma contingenciaria a verba – o que é proibido.

Para remediar a confusão, Temer disse que o PMDB não vai usar 25% da verba que receber da União. O partido, porém, ainda estuda se e como poderá devolver os recursos. O tesoureiro do PMDB, senador Eunício Oliveira (CE), não quis comentar o caso.

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