'Todos candidatos à Presidência querem CPMF', diz Lula

Em entrevista no Planalto, presidente diz 'duvidar que exista qualquer 'governador contrário ao PAC'

Leonencio Nossa e Tânia Monteiro, do Estadão

25 Outubro 2007 | 18h59

Em meio às negociações com o PSDB para aprovar a proposta que prorroga a vigência da CPMF, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira, 25, que o tributo interessa aos governadores que querem concorrer à presidência em 2010.   Veja também:    Entenda a cobrança da CPMF  Governo faz acordo sobre tramitação da CPMF no Senado  Repasse maior da CPMF a Estados é irreversível, dizem aliados Governo aceita negociar plano do PSDB para aprovar CPMF Mais recursos para saúde é ponto de entendimento, diz Mantega   "Estou convencido de que todos os governadores do Brasil são favoráveis (à proposta)", disse em entrevista no Palácio do Planalto. "Duvido que tenha um governador contrário ao PAC", completou ele, referindo-se ao Programa de Aceleração do Crescimento.   Sem citar diretamente os governadores de São Paulo, José Serra, e de Minas, Aécio Neves, ele disse que o tributo interessa a todos. "Todos aqueles que estão pensando em ser presidente a partir de 2010 querem que seja mantida a CPMF", afirmou.   Em uma rápida entrevista após cerimônia de sanção do projeto de Lei que cria escolas técnicas, Lula voltou a associar os recursos do tributo ao sucesso do PAC, programa voltado para obras de infra-estrutura. "Todo mundo sabe que a União não pode prescindir de R$ 40 bilhões", disse. "Até porque se nós quisermos fazer o PAC acontecer até 2010, melhorar a educação e a saúde, não tem como prescindir de R$ 40 bilhões."   Ele ressaltou que a CPMF não é um tributo criado pelo atual governo. "É um imposto que existe há muito tempo", disse.   A uma pergunta sobre qual era o prazo ideal para votar a proposta que prorroga a CPMF, Lula respondeu que isso será definido pelos senadores.   'Desoneramos uma CPMF'   Lula  disse também que o governo, nos últimos três anos, já desonerou um total equivalente a R$ 36,9 bilhões. "Na verdade já desoneramos uma CPMF", afirmou, referindo-se ao valor arrecadado anualmente com o imposto do cheque.   Ele disse que a arrecadação federal tem aumentado mas os empresários nunca ganharam tanto dinheiro. "Acho muito esquisito ouvir, às vezes, as pessoas falarem que a carga tributária está muito alta. Essas mesmas pessoas não dizem quanto cresceu a arrecadação de sua empresa", afirmou. "A verdade é que as pessoas estão vendo que o governo está arrecadando mais, no entanto, as empresas estão ganhando dinheiro como nunca ganharam na história deste país, muito dinheiro. O que queremos é construir um País mais justo e solidário, e para isso precisa de arrecadação", completou.   Na entrevista, Lula lembrou que, em abril de 2003, foi pessoalmente ao Congresso junto com governadores entregar uma proposta de reforma tributária. A proposta, como ele mesmo ressaltou, ainda não saiu do papel.   O presidente avaliou que o problema é que cada setor tem um proposta diferente. Ele confirmou que o governo enviará em breve ao Legislativo uma nova proposta de reforma tributária. "O que estamos tentando construir é uma política tributária que não interessa apenas ao Estado, ao município ou a União, mas ao povo brasileiro", disse. "Que seja uma política tributária que faça justiça fiscal, que possa diminuir a quantidade de impostos e a burocracia."   Texto atualizado às 19h40

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