Todo mundo quer ficar perto do presidente

Assessores disputam salas

Tânia Monteiro e Leonencio Nossa, O Estadao de S.Paulo

17 de março de 2009 | 00h00

Uma briga de egos provocada pela mudança da Presidência da República do Palácio do Planalto para o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) forçou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a reservar salas no novo local de trabalho para todos os ministros que despacham atualmente perto do seu gabinete. O Planalto passará, a partir da próxima semana, pela primeira reforma estrutural desde a inauguração em 1960. A princípio, Lula manifestou que gostaria de trabalhar no CCBB apenas com o seu núcleo mais próximo, formado pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, pelo chefe de gabinete, Gilberto Carvalho, e pelos assessores Clara Ant e César Alvarez. São as pessoas que não precisam pedir licença para entrar no gabinete presidencial, no terceiro andar do Planalto. Carvalho é o maior amigo e confidente de Lula. Ant é a "memória feminina" do presidente. Ela anota conversas sigilosas e manda recados para a Esplanada dos Ministérios. Já Alvarez ajuda na elaboração da agenda. Mas ninguém quis ficar longe do presidente. Luiz Dulci, ministro da Secretaria-Geral, despacharia com sua equipe no Palácio do Buriti, prédio do governo do Distrito Federal, a 10 quilômetros do CCBB. De tanto reclamar, conseguiu sala no centro cultural, mais perto de Lula. A disputa por um espaço no CCBB, novo símbolo do poder em Brasília, causou irritação em Dilma, que teve de intermediar a briga de egos de seus colegas de governo. "Estão pensando que o CCBB é elástico!", desabafou Dilma com a sua secretária-executiva, Erenice Guerra, segundo relato de um ministro.O maior espaço no centro cultural foi reservado para a candidata de Lula à Presidência em 2010. O prédio, que foi sede do governo de transição em 2002, já está sendo apelidado de "QG da Dilma" por auxiliares do próprio presidente. Todas as subchefias da Casa Civil ganharam salas com banheiro e serviço de lanche e cafezinho no prédio. Todo o primeiro pavimento foi reservado para a Casa Civil. Um andar acima ficará o presidente.A superpoderosa secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, contará com uma sala ampla. O mesmo aconteceu com o ministro da Comunicação Social, Franklin Martins. A assessora especial Myrian Belquior e o assessor de Assuntos Internacionais do Planalto, Marco Aurélio Garcia, também asseguraram salas próximas a Lula. Os generais Jorge Armando Félix, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), e Marco Edson Gonçalves Dias, chefe da segurança de Lula, garantiram salas no CCBB. O único ministro do grupo palaciano que não irá despachar todos os dias no prédio será José Múcio, das Relações Institucionais. Para facilitar o contato com parlamentares, Múcio ocupará sala no Bolo de Noiva, prédio anexo do Itamaraty.

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