Todas as perguntas foram respondidas, revela Viana

Primeiro a ler resultado da perícia, petista frisa que PF só não foi além porque não tinha aval para investigar

Brasília, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2022 | 00h00

Primeiro senador a ter contato com a perícia da Polícia Federal feita nos documentos apresentados por Renan Calheiros (PMDB-AL), o vice-presidente do Senado, Tião Viana (PT-AC), disse ontem à noite que os peritos responderam às 30 perguntas feitas pelos relatores do processo por quebra de decoro parlamentar.Segundo Viana, contudo, houve limitação para uma resposta ampla, já que a PF não fez uma investigação. "Pela limitação de ordem jurídica e constitucional, a PF não pode recorrer aos caminhos naturais de investigação", afirmou o petista. Pela Lei, a Polícia Federal só pode investigar um parlamentar mediante autorização do Supremo Tribunal Federal (STF).A perícia da PF chegou ao Senado às 20h23. O documento, de cerca de 70 páginas, foi entregue em mãos a Viana pelos diretores técnico-científico da PF e do Instituto Nacional de Criminalística, respectivamente Geraldo Bertollo e Clênio Belluco.Minutos depois, Viana repassou o laudo à secretária-geral da Mesa, Claudia Lyra, que contatou o presidente do Conselho de Ética, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), para informá-lo de que a perícia já estava no Senado.Quintanilha já havia deixado o Congresso quando os peritos chegaram para entregar os documentos. Ele voltou pouco depois das 21 horas para ter acesso ao material e ficou debruçado sobre os papéis até, pelo menos, 22h40. ACAREAÇÃOPrincipal testemunha contra o presidente do Senado, na denúncia de que teria empresas em nomes de laranjas, o usineiro e ex-deputado João Lyra (PTB-AL) se dispôs ontem a participar de uma acareação no Conselho de Ética. A decisão foi informada ao corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), por seu advogado Fábio Ferrário.Até então, Lyra vinha se prontificando apenas a liberar documentos sobre as transações que manteve com Renan na compra de um jornal e de duas emissoras de rádio em Alagoas, mas não a comparecer ao Senado. Na quinta-feira, em Maceió, além de entregar a papelada a Tuma, ele prestou depoimento na presença de um escrivão da Polícia Federal.ALGEMASAo ser informado da decisão, Renan limitou-se a perguntar: "Com algema ou sem algema?" E não disse se aceita ou não participar da acareação. Ex-aliados políticos, Lyra e Renan vêm trocando acusações desde que o usineiro revelou à revista Veja a suposta sociedade secreta que teria mantido com o senador. Segundo o usineiro, foi o presidente do Senado quem pediu para que as empresas ficassem em nome de laranjas e ele aceitou a idéia. Lyra disse que Renan pagou o investimento de R$ 1,3 milhão em dólares.

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