Hélvio Romero/AE
Hélvio Romero/AE

TJ julga mais um acusado pela morte de Celso Daniel

Réu é acusado de participar do crime do prefeito de Santo André, em 2002; julgamento de segundo réu previsto para esta quinta foi adiado

Felipe Frazão, de O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2012 | 10h50

O julgamento de mais um dos réus acusados de envolvimento no assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel (PT), em 2002, será realizado nesta quinta-feira, 16, no Tribunal do Júri de Itapecerica da Serra, na grande São Paulo. O petista foi morto com oito tiros e seu corpo encontrado em uma estrada de terra. Para a promotoria, o crime teve motivação política.

 

Estavam previstos para esta quinta o julgamento de mais um réu, Itamar Messias Silva dos Santos, mas o juiz responsável pelo processo acatou o pedido da defesa para adiar o julgamento para o dia 22 de novembro. O advogado Airton Jacob alegou que não poderia apresentar a defesa adequadamente ao júri. Afirmou ainda que o Ministério Público propôs nesta quinta ao seu cliente a delação premiada, ou seja, atenuar sua condenação em troca de informações. O acusado e o advogado ainda não decidiram se aceitam a oferta do MP. "Eu não faria esse julgamento hoje de jeito nenhum", disse Airton Jacob.

 

Até o momento, continua confirmado o julgamento de Elcyd Oliveira Brito. A exemplo de Itamar Messias Silva dos Santos, ele é acusado de sequestrar e matar o prefeito. A defesa de Itamar acredita que o julgamento de Elcyd será determinante para o futuro de seu cliente e do empresário Sérgio Gomes, o Sombra, apontado pela acusação como mandante do crime. O empresário nega o envolvimento. Seu julgamento ainda não tem data marcada.

 

Quatro pessoas já foram condenadas pelo assassinato. No julgamento desta quinta, o promotor de Justiça Marcio Friggi de Carvalho deve reiterar a tese de que Celso Daniel foi morto por discordar de um esquema de corrupção ligado ao PT. "Havia o esquema instalado em Santo André, cujo objetivo era financiamento para campanha do PT em 2002, ano de eleição presidencial. O esquema era aceito pelo Celso enquanto financiava o caixa 2 do PT. A partir do momento que ele descobriu que o dinheiro era desviado para enriquecimento próprio da quadrilha, não concordou. Tentou montar uma espécie de dossiê para ser usado oportunamente e isso chegou ao conhecimento dos demais e aí a motivação do crime", afirma o promotor.

 

O irmão de Celso Daniel, o professor Bruno José Daniel, chegou ao fórum nesta manhã para acompanhar o julgamento dos réus. "Minha paciência se alongou bastante durante todos esses anos. Vou continuar lutando para que as coisas se esclareçam", diz. / Com informações de Camila Tuchlinski, da Estadão ESPN

 

 

 

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