Titulares dizem não haver pressa em mexer na Esplanada

A reforma ministerial que está em discussão no governo deve envolver o corte de três a cinco pastas das 39 existentes e reduzir o espaço do PT e do PMDB, siglas com maior espaço na Esplanada. Ontem, ministros do núcleo duro do governo procuraram esfriar os ânimos e afirmaram que cabe à presidente Dilma Rousseff decidir se e quando promover mudanças.

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2015 | 02h02

As discussões ganharam força nesta semana, com o fim do recesso parlamentar e o aumento da crise política. Na avaliação em debate no Planalto, um novo arranjo de forças no Executivo ajudaria a arrefecer os focos de insatisfação na Câmara, como mostrou ontem o Estado.

Em São Paulo, onde participaram de ato de apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil), Edinho Silva (Comunicação Social) e Jaques Wagner (Defesa) disseram não haver urgência na reforma ministerial. "Pra mim, é boato. Não estou dizendo que é impossível acontecer, mas por enquanto...", afirmou Wagner aos jornalistas. "Reforma sempre pode ter, mas essa é uma decisão dela. Só tem uma pessoa que pode fazer reforma e ela se chama Dilma Rousseff."

Edinho fez coro ao colega: "Isso não está na pauta da presidenta nesse momento", afirmou, embora tenha feito a ressalva de que o processo de mudança é "natural". "Não há uma discussão neste momento com a presidente. Essa pauta só ela que pode tratar", disse Mercadante.

O Ministério do Planejamento fez estudos sobre a redução da estrutura da Esplanada, após pressão do PMDB, no início do ano, pelo corte das atuais 39 pastas para cerca de duas dezenas. Deve ser retirado o status de ministério de secretarias especiais como Micro e Pequena Empresa; Portos; Assuntos Estratégicos e Aviação Civil.

Uma das opções seria incorporar Portos e Aviação Civil ao Ministério dos Transportes, que hoje está com Antonio Carlos Rodrigues (PR-SP). Outra possibilidade seria tirar o título de ministério do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e agregar a Secretaria da Pesca ao Ministério da Agricultura.

Segundo interlocutores do Planalto, as discussões até agora serviram para traçar um "diagnóstico" dos problemas

para então se decidir o que poderia ser modificado. Dilma teria resistência a mexer, por exemplo, em pastas ligadas a questões sociais - como Direitos Humanos, Políticas de Promoção da Igualdade Racial e Mulheres - para evitar críticas de movimentos sociais. Essas últimas estruturas foram criadas no governo Lula.

/ TALITA FERNANDES e RAFAEL MORAES MOURA

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