Titular de vara de lavagem cobra provas de ministro

Em debate ontem na TV Estadão, o juiz federal Sergio Fernando Moro cobrou do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, provas de suas acusações às varas de lavagem de dinheiro. Para Mendes, juízes se unem a procuradores e à Polícia Federal formando redutos "parajurídicos". "É uma afirmação bastante grave. O que se espera é que essas acusações venham com provas, senão ficamos com a necessidade de simplesmente rebater as afirmações, dizendo que são inverídicas, fantasiosas", disse o titular da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba.   Assista à íntegra do debateO outro debatedor, o advogado Paulo Morais, diretor-tesoureiro da Subseção Pinheiros da OAB-SP, defendeu a extinção das varas de lavagem. Ele levantou suspeitas sobre a imparcialidade dos juízes, por atuarem na fase da investigação - por exemplo, autorizando interceptações telefônicas. "A preocupação é de se garantir sempre a imparcialidade do juiz. Ele não está na posição de fazer investigação, tem de analisar os fatos com total independência."O juiz, de novo, cobrou provas: "O que acho necessário é que sejam apresentados casos e provas a respeito de um eventual comprometimento da independência do juiz. Eu não vi nenhum caso concreto." Morais respondeu: "Para que o debate se mantenha em um bom nível, ninguém vai contar um caso específico." Para o advogado, "alguns exageros afrontam brutalmente o Estado de Direito".?INTIMIDAÇÃO?Um dos primeiros juízes a atuar exclusivamente no combate à lavagem de dinheiro e aos crimes financeiros, Moro denunciou a "intimidação" de magistrados, autoridades policiais e procuradores. O juiz de Curitiba frisou que a criação das varas especializadas multiplicou o número de processos: "O que tenho hoje na minha vara é mais do que tinha no Brasil inteiro em 2003. E mesmo assim digo: não é um número tão expressivo. Só que saímos do zero para alguma coisa." O advogado insistiu em que há cerceamento à defesa de acusados e abusos com grampos, uma das preocupações da OAB.Moro encerrou o debate contestando outra afirmação de Mendes, que o País vive em um Estado policial. "Não consigo ver essa transformação, assim tão rapidamente. Ainda somos o país da impunidade."

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