Polícia Civil
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Tiros que mataram capitão Adriano foram dados a pelo menos 1,5 metro de distância, diz IML

Miliciano foi morto por dois tiros de fuzil, teve os seus pulmões destruídos e o coração dilacerado

Fernanda Santana, Especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2020 | 18h25
Atualizado 14 de fevereiro de 2020 | 22h41

O miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega foi morto por dois tiros de fuzil, disparados a, no mínimo, um metro e meio de distância, e chegou ao Instituto Médico-Legal de Alagoinhas, a pouco mais de 135 quilômetros de distância de Salvador, com os dois pulmões destruídos e o coração dilacerado. Os detalhes foram divulgados na tarde de ontem, na sede do Departamento de Polícia Técnica (DPT), em Salvador.

Pela primeira vez depois da morte de Adriano, o responsável pela autópsia do corpo, Alexandre Silva, perito médico legista, deu detalhes sobre o estado do miliciano. A entrevista coletiva reuniu, também, o diretor do IML, Mário Câmara, e Elson Jefferson Neves da Silva, diretor geral do DPT-BA. 

“Eram dois disparos de arma de fogo", explicou Silva. “Teve um primeiro, que passou por baixo do peito, saiu rasgando o pescoço, e entrou na submandibular. Eu encontrei o projétil na região do pescoço. O segundo foi na região da clavícula. Esse aqui entrou e saiu nas escápulas. Essas foram as lesões provocadas por armas de fogo.”

O caminho das balas 

Os tiros foram de fuzil, determinou a autópsia, mas o calibre ainda não foi determinado. O laudo parcial divulgado pela Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) ainda aponta seis fraturas nas costelas. 

Os peritos negaram, diversas vezes, que o disparo tenha ocorrido numa distância de menos de um metro e meio. “Se você pega um fuzil calibre 762, por exemplo, bota perto da mandíbula, vai ter mandíbula para tudo que é lugar”, afirmou Mario. Logo depois, comparou: “Assistam ao assassinato de John Kennedy, explodiu a cabeça dele, isso o sujeito [o assassino] lá longe”. 

Não se sabe quanto tempo, exatamente, Adriano ainda conseguiu sobreviver depois dos disparos. Mas os peritos acreditam que tenha sido de 10 a 15 minutos. “É por isso que muitos policiais atiram até derrubar. O cérebro continua vivo”, tentou justificar Câmara. Depois, o corpo do miliciano foi levado para o IML de Alagoinhas, a 72 quilômetros de Esplanada. A liberação aconteceu no dia seguinte, e não se sabe, depois da retirada pela família, onde ele está. É o que afirmou a SSP-BA ao Estado. A família tentou autorização para cremar o corpo, mas a Justiça negou, na última terça (12).

O perito também encontrou uma área de equimose avermelhada no peito e na testa uma lesão “cortocontusa” – atrito que machuca e corta, como quando uma pessoa recebe um forte cotovelada ou um murro, por exemplo. As equimoses são causadas por vasos rompidos, abaixo da derme (camada mais superficial da pele), causada por uma superfície, quando Adriano ainda estava vivo. “Foi de forma passiva ou ativa? Não sei. Isso foi antes dele morrer”, pontuou Câmara. “Ele bateu, provavelmente, em alguma quina”, complementou.

Os peritos evitaram calcular a distância exata do tiro. Disseram que é “impossível” estimar a distância, exceto se conseguirem recuperar a arma que fez o disparo, usarem munição similar e disparar contra um alvo repetidas vezes até que se faça uma marca igual na “zona de tatuagem” – causada pela absorção de partículas de pólvora que atingem o corpo da pessoa atingida por um tiro. Câmara reforçou, em quase todas as respostas, que a distância está mais para “longa” – de um metro e meio a dois – que “curta”.

Ainda restam três laudos – como o de balística – a ser divulgados, mas nenhum dos peritos estipulou prazo.

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