Tiro que matou estudante e pastor no Rio veio de arma da Polícia

Um laudo pericial provou que o tiro que matou a estudante Aline Gonçalves de Lima, de 16 anos, e o pastor evangélico Marcelo Salgueiro de Menezes, de 31, foi disparado pela arma do policial Rodrigo Corrêa Lima Furtado, inspetor da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE). As mortes ocorreram durante incursão de uma equipeda DRE na Favela Beira-Mar, em Duque de Caxias (Baixada Fluminense), na terça à tarde. A Secretaria de Segurança Pública pediu à Justiçaque decrete a prisão temporária de Furtado, acusado de homicídio. Outros dois policiais que o acompanhavam estão afastados de suas atividades e tiveram as carteiras funcionais e armas apreendidas. Furtado usava um fuzil Colt M-16, calibre 223. A perícia, realizada pelo Instituto Médico-Legal, demonstrou que as duas mortes foram causadas pelo mesmo projétil. Os legistas informaram que o tiro atingiu primeiro as costas de Aline, que voltava da escola, e depois de atravessar o corpo da menina acertou o pastor, que também trabalhavacomo vendedor de cloro, segundo moradores da Beira-Mar, que ficaram revoltados com a ação dos policiais.As punições foram anunciadas pelo secretário estadual de Segurança Pública, Anthony Garotinho, após um encontro com moradores da favela. Ao lado do chefe de Polícia Civil, delegado Álvaro Lins,Garotinho afirmou que a ação da DRE foi ?desastrada?. Lins, disse que a ação havia sido planejada pela Coordenadoria de Polícia Especializada com o objetivo de prender um um integrante da quadrilha do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, identificado como Garça.Garotinho determinou que a Polícia Civil pedisse desculpas à comunidade e aos familiares das vítimas. ?Nós não compactuamos com isso, nós defendemos que seja feita apuração de forma correta, não nos antecipamos a nenhuma decisão, mas, comprovada através da perícia o que aconteceu, nós temos a obrigação de reconhecer o erro e de nos desculparmos com os senhores e punir quem tem que ser punido?, disse Lins. ?Não permitiremos que maus policiais imponham terror e humilhação aos moradores (de favelas)?, declarou o secretário.

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