'Tirar dinheiro do banco não é lavar', diz advogado de Cunha

Mulher do deputado petista sacou R$ 50 mil de conta de Valério e houve versões diversas para saque

22 de agosto de 2007 | 18h36

O advogado Alberto Zacharias Toronde, do deputado petista João Paulo Cunha, afirmou que há elementos que "fulminam" a denúncia do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, contra seu cliente. A denúncia é de que Cunha teria recebido R$ 50 mil em troca de favorecimentos à empresa do publicitário Marcos Valério.  Segundo o advogado, o dinheiro que Cunha recebeu teria relação com pedido feito a Delúbio Soares para pesquisas eleitorais e que notas fiscais foram apresentadas. "Esse foi o dinheiro que recebeu", diz advogado. "Tirar dinheiro do banco não é lavar dinheiro. Enviou sua esposa, e não terceiro, a mulher dele foi ao banco e assinou, não há ocultação. Isso não é lavar", afirmou o advogado. A mulher sacou R$ 50 mil de uma conta da SMP&B, de Valério, no Banco Rural, em Brasília e, à época, o deputado apresentou versões diferentes para justificar o saque. Segundo o advogado, não há referência sobre como Cunha teria sido beneficiado e que tipo de tratamento teria sido dado a SMP&B. Cunha foi reeleito em 2006 e é acusado de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato. Zacharias disse ainda que "ele (Cunha) não é apontado como membro da quadrilha nem como mensaleiro. Ele não pode ser apontado como mensaleiro já que era do partido (PT)".  O esquema do mensalão - pagamento de uma suposta mesada a parlamentares para votarem a favor de projetos do governo - foi denunciado por Roberto Jefferson, então deputado pelo PTB e presidente da legenda, que acabou sendo cassado por conta de seu envolvimento. Segundo ele, os pagamentos mensais chegavam a R$ 30 mil e o esquema de repasse do dinheiro era feito através de movimentações financeiras do empresário Marcos Valério. Dos acusados de envolvimento no esquema, foram cassados José Dirceu, Roberto Jefferson (PTB-RJ), que denunciou o mensalão, e Pedro Corrêa (PP-PE). Quatro parlamentares renunciaram para fugir do processo e 11 foram absolvidos.

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