Paulo Fonseca/EFE
Paulo Fonseca/EFE

Tiradentes vira argumento pró e contra governo

Pimentel cita mártir e ‘justiçamentos’ e grupos criticam homenagens a Lewandowski e Stédile

Leonardo Augusto, Especial para O Estado de S. Paulo

21 Abril 2015 | 13h05

Atualizado às 13h36 do dia 22/4/2015 para correção de informação

OURO PRETO - No momento em que aumentam as vozes na oposição em defesa de um processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, o governador de Minas e amigo de longa data da petista, Fernando Pimentel (PT), aproveitou ontem a celebração do Dia de Tiradentes, em Ouro Preto, para lembrar a história do mártir e pregar contra “justiçamentos” e acusações “a serviço de estratagemas”. O evento, pela primeira vez realizado sob gestão petista, também foi usado por grupos contrários ao partido para protestos na cidade histórica e na capital mineira, assim como por professores em campanha salarial.

Ao todo, 141 pessoas receberam ontem a Medalha da Inconfidência, honraria criada por Juscelino Kubitschek em 1952. A lista inclui integrantes do governo Dilma, como o ministro Luís Inácio Adams (Advocacia-Geral da União) e o presidente do Banco do Brasil, Alexandre Abreu.

A principal homenagem, o Grande Colar, foi dada ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski. Revisor do processo do mensalão em 2012, o ministro recebeu a honraria dois anos após seu antecessor, o ex-ministro e ex-relator do caso Joaquim Barbosa, ser agraciado da mesma forma pelo tucano Antonio Anastasia.

A homenagem a Lewandowski e também ao líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, foi lembrada por grupos anti-PT, que convocaram protestos por causa da lista de homenageados com a Medalha da Inconfidência. Mesmo mantidos afastados da Praça Tiradentes, eles exibiram faixas contra os agraciados e bateram panelas contra os governos federal e mineiro.

Cerca de 5 mil pessoas, segundo a Polícia Militar, acompanharam a cerimônia, somando-se o público na Praça Tiradentes e nos arredores. Pimentel ouviu vaias ao chegar ao local: não de grupos contrários ao PT, e sim de professores vestidos de preto, levando a inscrição “Luto na educação” e bonés da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Os educadores cobram o cumprimento de promessas de campanha, como a elevação do piso salarial - de R$ 1.237 para R$ 1.917.

Comparações. Ao iniciar seu discurso, Pimentel fez alusão aos 12 anos de governo do grupo do hoje senador Aécio Neves (PSDB), quando não se permitia o acesso do público à praça da cerimônia. “É muito bom poder ouvir as vozes da liberdade depois de tanto tempo”, disse Pimentel. “Ainda que sejam palavras equivocadas, são da democracia, e nos permitem reforçar o compromisso que temos com a saúde, educação e segurança.”

Pimentel prosseguiu no discurso e afirmou que “justiçamentos podem ser tudo, menos Justiça”. “Justiçamentos podem saciar a voracidade do arbítrio, podem apetecer a gana das vaidades, mas jamais irão alimentar a fome de justiça.”

Em referência a Tiradentes, Pimentel disse que o alferes “terminou a vida no cadafalso, mas permanece vivo na memória”. O governador afirmou, sem citar nomes, que “acusações, quando a serviço de estratagemas, morrem”. “Os acusadores morrem. Mas a injustiça contra as vítimas da acusação infundada, essa é eterna, incontornável, irreparável e, sobretudo, imperdoável.”

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