''Tinha de mostrar ao País que não estava acuado diante de ameaças''

Tucano diz que ?não tinha saída? a não ser ir para confronto contra tropa de choque do PMDB

Julia Duailibi, O Estadao de S.Paulo

08 de agosto de 2009 | 00h00

Um dia após protagonizar discussão com o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) afirmou ontem que "não tinha saída", a não ser partir para o confronto contra o que chamou de "tropa de choque" do PMDB no Senado. "Ficou claro que a era Sarney acabou", disse ontem. Abaixo, trechos da entrevista.Como a situação chegou ao ponto da discussão no plenário? Desde o recesso, implementou-se um clima de ameaças e de intimidação dos senadores que eles consideram inimigos. A turma do PMDB, a tropa de choque do Renan, não tem nada a perder. Eles têm uma imagem desgastada na opinião pública, muitos não vão disputar reeleição. Não têm história política, estão dispostos a tudo. Como eram essas intimidações?Disseram que iam me colocar no Conselho de Ética (em razão da divulgação do uso de jato pago pelo Senado), disseram que tinham munição contra Sérgio Guerra (presidente do PSDB), colocaram notas em jornais, coisas desse tipo.Quem fazia isso?A tropa de choque, Wellington Salgado (PMDB-MG), Gilvam Borges (PMDB-AP).Como está a situação?Está um clima insustentável. Foi um erro brutal do Sarney. O clima se radicalizou de vez. Não tínhamos outra saída. Ou nos intimidávamos ou íamos para o confronto. Ficou claro que a era Sarney acabou. Sarney decretou o fim dele. Não tem mais condições de presidir o Senado. O sr. se arrependeu do bate-boca?Não foi o mais adequado, não foi bom. Mas não tinha saída. Em certas circunstâncias, há coisas que você tem de fazer. Não gostaria que isso tivesse acontecido. Mas tinha que mostrar ao País que não estava acuado diante de ameaças. Não foi dos dias mais felizes da minha vida. O sr. pretende tomar alguma medida contra Renan?Deixo a cargo do partido. Não há dúvida de que foi quebra de decoro (falar palavrão no plenário). Agora, eles têm maior número. Portanto, a nossa ação tem de ser política.De onde vem o poder de Renan?Vem da bancada do PMDB e de Lula, que quer o apoio na eleição presidencial. Renan tem apoio total, controla a bancada de maneira impressionante, Deus sabe lá como. Lula é culpado, estimulou isso.

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