Tião Viana será ouvido sobre violação de conta de Francenildo

Principal aliado no Congresso do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, o senador Tião Viana (PT-AC) será ouvido como testemunha pelo delegado da Polícia Federal Rodrigo Carneiro no inquérito que investiga a violação da conta bancária do caseiro Francenildo dos Santos Costa. Tião se comprometeu a marcar data e hora para depor na primeira semana de setembro.A decisão põe fim ao mal-estar provocado pela suspeita de que o ele teria recusado o convite de Carneiro. "O delegado teve um pouco de ansiedade e eu tenho uma campanha para cuidar", alegou, referindo-se ao desencontro que teria levado o responsável pelo inquérito a recorrer ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), na tentativa de remover possíveis obstáculos.Tião disse que o seu testemunho não acrescentará nenhum fato novo à investigação. Lembrou, ainda, que o parágrafo 6º do artigo 53 da Constituição desobriga os parlamentares de testemunharem sobre informações recebidas ou prestadas em razão do mandato. Ele disse que preferiu depor para "esclarecer tudo". "Fui vítima de uma insinuação neste processo, daí por que acredito que o melhor lembrar como tudo se passou", afirmou Tião.Explicou que falava da suspeita surgida na ocasião de que teria participado da trama que levou à violação da conta de Nildo na Caixa Econômica Federal (CEF). "Ninguém tem o direito invadir a privacidade de quem quer que seja", defendeu.A quebraComunicada a Palocci pelo então presidente da Caixa, Jorge Mattoso, a violação da conta tornou insustentável a permanência de ambos nos cargos que ocupavam. Depoimentos em poder da Polícia Federal e da Corregedoria do Senado indicam que Tião Viana teria levado a Palocci a informação de que o caseiro estaria de posse de uma soma elevada de dinheiro.A suspeita era a de que o caseiro teria recebido dinheiro da oposição para desmentir Palocci sobre suas idas à casa do Lago Sul, alugada por amigos de Ribeirão Preto e freqüentadas por empresários e garotas de programa, conforme denunciou em entrevista ao Estado. A investigação sobre a violação do sigilo mostrou que Nildo recebeu R$ 25 mil de seu pai biológico, empresário Eurípedes Soares, para não requerer na Justiça o reconhecimento da paternidade.

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