Tião Viana quer destravar votações no Senado

Para presidente interino da Casa, projetos são mais importantes que 'vaidade' partidária

Paulo Maciel, da Agência Estado,

16 de outubro de 2007 | 07h56

O presidente interino do Senado, Tião Viana (PT-AC), disse que vai tentar fazer uma ponte entre o governo e a oposição na tentativa de destravar as votações no Senado. Em entrevista ao Jornal das Dez, da Globo News, o senador petista procurou ressaltar o seu caráter de interinidade e garantiu que o seu partido não cogita manter-se na Presidência da Casa.   Preocupado em não ferir suscetibilidades tanto dos seguidores de Renan Calheiros quanto da oposição, Tião Viana afirmou que este não é o momento de abrir a disputa pela sucessão de Renan. "Acho que o Senado precisa votar e dialogar para se recompor perante a opinião pública", propôs. "Então, qualquer debate sobre eventual sucessão do senador Renan me parece inoportuno."   O senador afirmou que é preciso deixar de lado as vaidades dos partidos políticos e pregou humildade para o PT, "a quarta força do Senado". E disse que a prioridade de sua gestão será pacificar e normalizar das atividades da Casa: "Nós entendemos que é inoportuno o debate sobre a sucessão porque ele vai contaminar o ambiente político no Senado, uma vez que envenenaria todo o ambiente novamente", ponderou Tião Viana.   Para o presidente interino, pelo menos até ser julgado, Renan Calheiros tem que ser "respeitado" como presidente da Casa. Mas, diante da realidade do debate sucessório deflagrado entre os peemedebistas, admitiu: "O PMDB tem autoridade e autonomia para discutir esse assunto".   Votações   Tião Viana considera que terá papel fundamental no diálogo entre o governo e a oposição. "O mais importante é promover um encontro entre base do governo e a oposição, entendendo e fazendo com que todos tenham a certeza de que é possível dialogar assuntos de interesse do País."   O senador lembrou que, além da prorrogação da CPMF, estão pendentes no Senado projetos importantes como a lei complementar que pode aumentar em R$ 10 bilhões o orçamento da saúde pública, ou que acrescenta dois milhões de vagas nas universidades, além das medidas provisórias que trancam a pauta de votação. "Trocar isso por uma agenda de disputa e vaidade de espaço partidário não é bom", sustentou. "Porque o governo do presidente Lula está muito bem perante a opinião pública e o Congresso não pode continuar caindo e descendo a escada."   Diante do questionamento sobre a necessidade de maior transparência nas contas do Senado, Tião Viana admitiu que planejava mesmo apresentar projeto nesse sentido já na próxima semana. "Mas eu não queria que isso se confundisse com vaidade ou a idéia de que eu estaria querendo tripudiar sobre a imagem de quem possa estar enfraquecido nesta hora no Senado Federal", ressalvou o presidente interino do Senado ainda preocupado em não fazer nenhuma marola na área política. E explicou: "Qualquer movimento que eu possa fazer agora pode dar a impressão de estar disputando a sucessão."

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