The Economist: governo Dilma pode ser forte só no papel

Um eventual governo de Dilma Rousseff pode parecer mais forte no papel do que na prática, diz a The Economist, na edição desta semana. A revista dá a vitória da candidata do PT à Presidência da República como praticamente certa e já começa a traçar como seria seu mandato. Para a publicação britânica, graças ao apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a "tecnocrata" deve derrotar seu "único rival sério", José Serra, do PSDB.

DANIELA MILANESE, Agência Estado

09 de setembro de 2010 | 17h37

A The Economist avalia que o maior constrangimento de Dilma num eventual governo deve vir "de dentro". Ela se filiou ao PT somente em 2001 e não cresceu dentro do partido, pois sua candidatura foi imposta por Lula. Os principais parceiros da coalizão do PT já estão falando sobre os ministérios que esperam obter, argumenta a revista. "Com mais assentos (no Congresso) e uma líder mais fraca do que seu antecessor, o próximo governo pode parecer mais forte no papel do que na prática."

Segundo a revista, Dilma passou por um susto com as denúncias de acesso não autorizado a dados sigilosos da filha de Serra por membros do PT, mas não há evidência de seu envolvimento no caso e as últimas pesquisas lhe dão mais de 50% das intenções de voto.

Com o resultado já parecendo resolvido, as atenções se voltam para as eleições estaduais e legislativas, que irão determinar a força do novo governo, diz a revista. A "sombra" de Lula aparece nessas disputas, pois os candidatos do PT e da base aliada também buscam seu apoio.

"Até alguns supostos aliados de Serra estão falando bem do presidente, enquanto evitam mencionar seu próprio homem", afirma a publicação. "Surpreendentemente, Serra também tentou isso ele mesmo", diz a revista, referindo-se à propaganda eleitoral do PSDB que mostrou o tucano e Lula juntos.

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