Celso Junior/AE - 28/06/2011
Celso Junior/AE - 28/06/2011

Texto de Serra, sem aval conjunto do PSDB, ataca ‘herança maldita’ do PT

Análise da conjuntura foi discutida quarta-feira pelo Conselho Político, presidido pelo tucano, e contém duros ataques a Dilma, cujo governo é classificado de ‘incompetente e autoritário’

João Domingos, de O Estado de S.Paulo

01 de julho de 2011 | 23h00

BRASÍLIA - Documento elaborado pelo ex-governador José Serra e apresentado por ele ao Conselho Político do PSDB, órgão partidário que o tucano preside, afirma que "a incompetência e o autoritarismo são as marcas" do governo de Dilma Rousseff, e ressuscita o termo "herança maldita". O termo era usado pelos petistas para atacar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, mas agora foi aplicado aos governos do PT. O texto divulgado na sexta-feira, 1º, no site do tucano não contou com o aval de todos os integrantes do conselho, entre eles o senador Aécio Neves (PSDB-MG), que, procurado, preferiu não se manifestar.

 

Sem o aval de todos à íntegra do texto, dirigentes tucanos disseram não reconhecer o documento como uma peça partidária, sobretudo constrangidos com o fato de a divulgação ter ocorrido menos de 24 horas após a homenagem aos 80 anos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Na festa, vários petistas compareceram e foi novamente lembrada por FHC a carta enviada por Dilma a ele na qual a petista reconhece avanços ocorridos no País durante a gestão do tucano.

 

Serra levou o texto, de quase sete laudas, para a reunião do Conselho Política na quarta-feira à noite. Diante da ausência de Aécio Neves e da proximidade dos eventos de homenagem a FHC, os tucanos preferiram não dar publicidade ao texto.

 

"Como não houve tempo para fechar o consenso em torno do texto, não divulgamos. Para que fosse um documento do partido, era preciso que fosse de todos", afirmou o presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE). O texto não foi divulgado no site do PSDB.

 

Além de Serra, integram o Conselho Político do PSDB Fernando Henrique, Sérgio Guerra, Aécio Neves, e os governadores de São Paulo, Geraldo Alckmin, e de Goiás, Marconi Perillo.

 

Ação. De acordo com o texto preparado por Serra, o PSDB buscará mobilizar a sociedade brasileira" para superar o que qualifica de "período difícil". Os governos do PT, diz trecho do documento, deixaram para o País uma "herança maldita" centrada na "carga tributária mais alta do mundo em desenvolvimento, na maior taxa de juros reais do planeta e na taxa de câmbio megavalorizada". Tudo isso, segundo a análise divulgada no site de Serra, somado a uma das menores taxas de investimentos governamentais em todo o mundo.

 

Segundo a análise de conjuntura, nos mandatos de Lula, "graças ao seu talento de animador e à publicidade massiva, criou-se a impressão de que a era do crescimento dinâmico havia voltado para ficar". "Impressão, infelizmente, sem fundamento."

 

Assim, prossegue o texto divulgado ontem, formou-se um gargalo na infraestrutura, notadamente em energia, transportes urbanos, portos, aeroportos, estradas, ferrovias, hidrovias e navegação de cabotagem.

 

"Um gargalo que impõe custos pesados à atividade econômica e freia as pretensões de um desenvolvimento mais acelerado nos próximos anos."

 

O texto preparado por Serra citou ainda como parte da "herança maldita" petista carências nas áreas de saneamento, saúde e educação, a falta de planejamento e de capacidade executiva no aparato governamental, "dominado pelo loteamento político, pela impunidade, quando não premiação, dos que atentam contra a ética, e por duas predominâncias: do interesse político-partidário sobre o interesse público, e das ações publicitário-eleitorais sobre a gestão efetiva das atividades do governo".

 

2014 e Copa. No texto, Serra sugere ainda que não sejam "antecipadas as decisões sobre alianças e candidaturas em 2014" e pede unidade ao partido.

 

Sobre a Copa, alerta sobre a lentidão das obras. "Em vez de resolver os problemas, o atual governo optou pelo atropelo, tentando promover mudanças na legislação que transformarão as obras públicas em puros negócios privados." Ele previu que logo aparecerão escândalos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.