Texto básico da votação do Orçamento é aprovado

A Comissão Mista de Orçamento do Congresso aprovou no início desta manhã o texto básico do relatório do deputado Sampaio Dória (PSDB-SP), sobre a proposta orçamentária de 2002. Foram ressalvados 2.331 destaques que deverão ser apreciados ainda hoje. A sessão foi suspensa às 4h33, depois de nove horas de uma queda de braço entre a bancada do governo e da oposição. Votaram a favor do relatório 40 deputados e 10 contra. No senado, a votação foi simbólica, apenas Tião Viana (PT-AC) manifestou-se contra.Os governistas conseguiram vencer as táticas de obstrução da oposição, mas a batalha prossegue hoje a partir das 14 horas. A sessão teve alguns momentos tumultuados. A oposição questionou o fato de uma votação de R$ 15 milhões para investimentos em informática do Tribunal Superior Eleitoral, com vistas nas eleições do ano que vem., foi suprimida no relatório geral depois de ser aprovada no parecer setorial da área de tribunais. Outro ponto observado foi a suspeita sobre a distribuição das votações orçamentárias feitas pelo relator geral, deputado Sérgio Miranda (PC do B-MG). Para a oposição, este ano, houve um retrocesso em relação a transparência e democratização da discussão da proposta orçamentária porque o poder ficou concentrado apenas nas mãos do relator que teve, segundo os oposicionistas, R$ 1,3 bilhão para movimentar sozinho no orçamento. "Ficamos com saudades do deputado João Alves. Acho que ele não movimentou sozinho este tanto de recursos, disse Miranda referindo-se ao ex-deputado João Alves, personagem principal do escândalo dos anões do orçamento que resultou em uma CPI e na cassação de vários deputados em 1994. O relator rebateu as acusações dizendo que ao contrário do que afirmou Miranda, ele abriu mão do poder delegando ao comitê de emendas a incumbência de discutir e deliberar sobre as emendas da bancadas. A condução dos trabalhos pelo presidente da comissão, Carlos Bezerra (PMDB -MT), também foi muito contestada pelos oposicionistas, que tumultuaram várias vezes a sessão por causa de decisões tomadas pelo presidente que, segundo a oposição, foram injustas e anti-regimentais. A sessão transcorreu com mais tranqüilidade depois que Bezerra pediu ao vice-presidente, deputado Santos Filho (PFL-PR), que conduzisse os trabalhos.

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