Tetraplégico realiza sonho de se tornar procurador da República

Quinze anos após ter ficado tetraplégico, Cláudio Drewes José de Siqueira, de 31 anos, realizará na segunda-feira o sonho de tomar posse como procurador da República. Ele foi classificado em 23º lugar num concurso com provas escrita e oral e do qual participaram mais de 5 mil candidatos. Na Procuradoria da República em Goiás, onde deverá trabalhar pelo menos no início, ele quer se dedicar também à defesa dos direitos dos deficientes. Ele será o primeiro procurador tetraplégico do Ministério Público Federal (MPF). Em 1988, aos 16 anos, ele perdeu os movimentos de quase todo o corpo após mergulhar em águas rasas em Brasília, onde morava. Apesar de movimentar apenas a cabeça, "quase igual ao Christopher Reeve (ator americano que ficou tetraplégico ao cair de um cavalo)", Siqueira obteve conquistas importantes. Há três anos, passou a procurador de Goiás. Na prova para a Procuradoria-Geral da República, teve apenas 30 minutos a mais que os outros candidatos. Ditou as respostas para um fiscal, fez correções e o texto foi transcrito à mão por outra pessoa já que, pelas regras, o teste tinha de ser escrito. Ele diz que não foi vítima de preconceito. "Os integrantes do MP são bem conscientes de seu papel na sociedade", afirma. Siqueira desenvolveu uma técnica para trabalhar. Usa uma espécie de capacete, com adaptação para o queixo semelhante a uma antena de televisão, com a qual consegue datilografar e folhear processos. Além de conquistar vaga no MPF, ele realizou outro sonho. Há quatro meses, nasceu Gustavo, seu primeiro filho.

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