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José Roberto de Toledo
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Tetos, pisos e a avalanche

Os pilares da eleição de presidente do Brasil não mudam de lugar há 25 anos. Desde o 2.º turno de 1989, a disputa se estrutura entre eleitores pró-PT, anti-PT e volúveis. No domingo, será a décima votação seguida comandada por essa lógica. A dúvida é quem representará o antipetismo. O favoritismo de Marina Silva (PSB) para ganhar o papel é cada vez menor.

José Roberto de Toledo, O Estado de S.Paulo

29 Setembro 2014 | 02h01

O Ibope e o Estadão Dados elaboraram um modelo estatístico para medir os três grupos de eleitores e identificar suas tendências. Após muitos cálculos e comparações, chegaram a cinco respostas que separam pró-petistas de antipetistas e demais. Se o eleitor concorda com ao menos três, ele é pró-PT (é diferente de ser petista; ele só tem mais probabilidade de votar no PT). Se não concorda com nenhuma, é anti-PT. Uma ou duas o tornam volúvel.

As respostas-chave são: 1) acha o governo bom ou ótimo, 2) aprova Dilma Rousseff (PT), 3) diz que votaria com certeza ou poderia votar em Dilma, 4) diz ter preferência partidária pelo PT, 5) é beneficiário do Bolsa Família (ou mora com alguém que seja). Algumas delas podem parecer redundantes, mas o seu cruzamento elimina inconsistências nas respostas dos eleitores.

O modelo foi testado em três rodadas de pesquisas presidenciais e mostrou-se quase imutável. Na mais recente, feita na semana passada, 39% dos eleitores se encaixaram no grupo pró-PT. Os anti-PT, que não se enquadram em nenhuma das cinco respostas, são 33% do eleitorado nacional. Os 28% restantes podem ir para um lado ou para outro. Como nenhum dos grupos antagônicos tem maioria absoluta, os volúveis acabam decidindo a eleição.

Não basta, porém, ter metade mais um dos volúveis. Há nuances que tornam a conta mais complexa. Por exemplo: como o grupo pró-PT é maior, o candidato antipetista precisaria conquistar mais de 60% dos votos do grupo volúvel para ser eleito. Isso se ele tivesse todos os eleitores anti-PT, e o candidato petista tivesse 100% dos votos pró-PT. O problema é que eles nunca têm.

"Apenas" 82% dos pró-PT são eleitores de Dilma no 1.º turno. Há quem caia nesse grupo e prefira outros candidatos. Afinal, a segunda colocada é uma ex-petista: 8% dos pró-PT declaram voto em Marina, e 4%, em Aécio Neves (PSDB). É o grupo onde há menos eleitores que vão anular ou votar em branco: só 1%. São também poucos os indecisos: 5%.

Já entre os anti-PT, só 1% diz que vai votar na presidente. Também há poucos indecisos (6%), mas abundam os que não estão satisfeitos com nenhuma das alternativas e vão anular: 15%. Marina leva vantagem de 45% a 34% sobre Aécio nesse grupo.

A ex-petista vai ainda melhor do que o tucano entre os volúveis: 38% a 19%. E Dilma tem o suficiente para embolar a disputa entre os rivais e manter-se com chances no turno final: 21%. Em nenhum outro grupo há tantos indecisos: 14%. A taxa de branco/nulo entre eles se aproxima da média histórica e não deve mudar: 8%.

Como o modelo ajuda a saber quem passará ao 2.º turno? A partir dele são estimados os tetos de votação dos candidatos, cruzando os grupos com as taxas de rejeição e o potencial de voto. O modelo mostra que, até a última pesquisa, Marina tinha teto e piso mais altos do que os de Aécio. Era uma vantagem.

A análise combinatória das taxas a que Aécio e Marina poderiam chegar, respeitados seus tetos e pisos, mostrava que há menos cenários em que o tucano poderia chegar à frente da rival. Até a última pesquisa divulgada pelo Ibope, a proporção era de 3 para 1 em favor da candidata do PSB. Porém, sua curva descendente sugere que as chances do tucano tenham aumentado desde então.

Se a perda de votos de Marina continuar acelerando e virar avalanche, os pisos e tetos serão solapados. As pesquisas de terça, quinta e sábado mostrarão o tamanho do estrago.

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