Testemunha diz à CPI que dinheiro da Bancoop ia para o PT

Irmão de ex-presidente da cooperativa reiterou depoimento ao Ministério Público; para advogado, relato não é sério

Fausto Macedo/SÃO PAULO - O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2010 | 00h05

O técnico em edificações Hélio Malheiro afirmou ontem à CPI da Bancoop, na Assembleia de São Paulo, que recursos da cooperativa foram desviados para campanhas eleitorais do PT em 2002. Ele acusou João Vaccari Neto, na época diretor financeiro da entidade e hoje tesoureiro do PT, de fazer parte do “esquema fraudulento”. Malheiro declarou que seu irmão, Luís, então presidente da Bancoop, foi pressionado a liberar valores para o partido.

 

Dizendo-se ameaçado, Hélio está ao abrigo do Programa de Proteção a Testemunhas desde 2008. Ele chegou ao Palácio Nove de Julho por volta de 10h30, escoltado por 12 policiais armados, e com o rosto coberto por um capuz. Depôs em sessão reservada, diante de 7 parlamentares, no Plenário Dom Pedro I. O áudio de seu relato foi transmitido ao vivo para os ocupantes do Plenário Tiradentes, ao lado.

 

Malheiro atribuiu as informações sobre o suposto vínculo Bancoop/PT a seu irmão, que morreu em novembro de 2004, vítima de acidente de carro em Petrolina (PE). Segundo ele, foi Luís quem contou detalhes da parceria. No início da sessão o técnico leu a íntegra do depoimento que fez ao Ministério Público há dois anos. Ele entregou à CPI uma planilha relativa ao ano de 2002 que aponta “entrada de dinheiro da Bancoop” com destaque para onze operações que somam cerca de R$ 900 mil supostamente repassados para empresas formadas por dirigentes da própria cooperativa. Essas empresas eram fornecedoras da Bancoop. “Meu irmão confidenciou-me que tinha que ceder às pressões políticas e muitas vezes se via obrigado a entregar valores de grande monta para as campanhas eleitorais do PT”, assinalou.

 

Repasse. Entre 2001 e 2002, afirmou, “em pelo menos três ou quatro oportunidades” sub-empreiteiros depositaram valores em contas de sua titularidade, cujos valores chegavam a até R$ 5 mil, dinheiro que depois teria sido repassado ao caixa do PT para abastecer campanha inclusive de Lula à Presidência. “A situação financeira da Bancoop começou a ruir de tal forma que meu irmão procurou Ricardo Berzoini (ex-presidente do PT) para obter recursos e, nessa oportunidade, em 2004, foi obtido um empréstimo junto a um fundo de direitos creditórios superior a R$ 43 milhões”, declarou.

 

“O depoimento é muito importante porque ele (Hélio) reiterou o que havia declarado ao Ministério Público”, avalia o deputado Samuel Moreira (PSDB), presidente da CPI. “Ele deixou claro que recebia recursos de empresas que prestavam serviços à Bancoop, sacava esse dinheiro e o entregava ao irmão para posterior repasse para campanhas do PT.” Para Figueiredo, a Bancoop “é cooperativa completamente desestruturada”.

“Hélio Malheiro não é uma testemunha isenta”, rechaçou o advogado Pedro Dallari, da Bancoop. “Tem um profundo rancor contra a Bancoop contra a qual mantém histórico de litígios. Não apresenta provas, faz considerações muito vagas. Cinco mil reais é desvio para campanha?”

 

O deputado Vanderlei Siraque (PT) acredita que Vaccari tentou restabelecer o equilíbrio econômico financeiro da Bancoop e isso gerou conflito com cooperados. “Até agora não apareceu nada relacionado com o código penal.”

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