Testemunha de Suplicy não quer se apresentar

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) informou que não será possível apresentar a testemunha que, segundo ele, poderia informar como alguns bancos de investimento, em 1998, pagaram propina a pessoas que se diziam com acesso ao Banco Central, para obter informações privilegiadas. "A pessoa não quer se apresentar porque ficou muito preocupada com tudo, e prefere preservar sua integridade e de sua família", declarou o senador. Suplicy insiste, no entanto, que as informações poderiam ser fornecidas reservadamente, e que se dispõe a funcionar como intermediário para ajudar a esclarecer estes fatos. A existência da testemunha - que teria um amplo conhecimento do mercado financeiro - foi revelada por Suplicy durante o depoimento do ministro da Fazenda, Pedro Malan, no Senado, na quinta-feira. Malan encaminhou hoje, ao procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, uma carta que lhe foi entregue pelo senador petista ao final da audiência no Congresso, falando sobre a testemunha e pedindo que o ministro a ouvisse reservadamente. Malan disse que esta não é uma atribuição sua e pede a Brindeiro "a adoção de providências eventuais cabíveis" já que, na sua avaliação, em tese, essa denúncia se constitui "um ilícito penal". Segundo o senador Suplicy, a partir das informações que a testemunha lhe forneceu, pretende fazer diversas indagações não só ao ministro Malan, mas também ao presidente do Banco Central, Armínio Fraga, que estará no Congresso na próxima terça-feira.

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