Testemunha da morte de Toninho do PT pode perder proteção

O Ministério Público Estadual em Amparo pediu o desligamento do garçom Anderson Ângelo Gonçalves do Programa Estadual de Proteção a Testemunhas (Provita). Gonçalves é uma das testemunhas no caso da morte do prefeito de Campinas, Antonio da Costa Santos, o Toninho do PT. O garçom foi detido nesta quinta sob a acusação de falso testemunho em depoimento à Promotoria, no Fórum de Amparo.Segundo informou o promotor André Luiz Bogado Cunha, o garçom, conhecido também como Jack, disse que em 2002 foi impedido de depor em Campinas no caso Toninho por ter sido seqüestrado por um funcionário público de Amparo ligado ao PT e levado até um hospital da cidade, onde teria sido dopado."Tivemos acesso aos prontuários médicos, onde ficou registrado que o garçom chegou ao hospital com uma cólica renal e foi medicado apenas com um analgésico", disse o promotor. "Há pelo menos quatro anos ele conta essa história, e no depoimento houve várias contradições", disse Cunha.Levado à delegacia de Amparo, o garçom teve o direito de retratar-se. Depôs pela segunda vez na noite de quinta-feira. E disse ter mentido ao contar que foi seqüestrado e dopado. Gonçalves depôs ao Ministério Público de Amparo nesta quinta por ter mencionado funcionários públicos da cidade em uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) instaurada na Câmara Municipal em fevereiro deste ano, para apurar o possível envolvimento de servidores municipais na morte do petista em Campinas. A mesma versão foi repetida em maio, na Comissão Parlamentar de Inquérito dos Bingos, em Brasília.Segundo o garçom, empresários teriam combinado o assassinato do então prefeito em um bingo de Campinas, para o qual Gonçalves trabalhava. Toninho do PT morreu em 10 de setembro de 2001, após sair de um shopping. "Esse moço vive às custas de benefícios dados pelo fato de ele ser uma testemunha. Ele vislumbrou um modo de sobreviver e se manter em evidência. Já pedi o desligamento dele do Provita", afirmou o promotor.Para o Ministério Público de Campinas, responsável pela investigação sobre o assassinato, e para o Grupo de Atuação Especial Regional de Prevenção e Repressão ao Crime Organizado (Gaerco), há contradições nos depoimentos dados pelo garçom.A viúva de Toninho, a psicóloga Roseana Garcia, reafirmou nesta sexta que Gonçalves deve ser investigado. "Solicitei mais de uma vez ao Ministério Público que investigue esse rapaz. Ele faz acusações contra muitas pessoas, mas não é um mentiroso patológico, um louco solitário. Ele é articulado e deve ter sido orientado por alguém", afirmou Roseana. O Estado não conseguiu falar com o advogado designado pela Justiça para defender o garçom.

Agencia Estado,

27 de outubro de 2006 | 13h54

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