Testemunha complica situação de Zeca do PT

Ex-assessora afirma que pegou autorização de pagamento a agências no gabinete do ex-governador

Fausto Macedo, O Estadao de S.Paulo

04 de novembro de 2007 | 00h00

Em busca do perdão judicial e sob proteção policial, a ex-assessora da Secretaria de Coordenação-Geral Ivanete Leite Martins, testemunha-chave do Ministério Público Estadual na investigação sobre suposto mensalão do Zeca do PT, afirmou que no dia 28 de dezembro foi ao gabinete do ex-governador de Mato Grosso do Sul para "pegar sua autorização" de pagamento a agências de publicidade.Ivanete depôs três vezes ao Ministério Público. Seu mais recente interrogatório foi tomado no dia 24, nas dependências do Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), braço do Ministério Público que rastreia eventuais irregularidades no governo Zeca (1999-2006).Para a promotoria, o novo relato de Ivanete reforça significativamente as suspeitas contra Zeca do PT, formalmente denunciado duas vezes à Justiça por peculato e uso de documento falso. Uma denúncia, acolhida pela 2ª Vara Criminal de Campo Grande, foi barrada pelo Tribunal de Justiça, que acatou pedido de liminar da defesa.A promotoria estima que chega a R$ 30 milhões o desvio de verbas destinadas à publicidade. Caixa 2 e notas fiscais frias davam suporte à fraude, afirmam os promotores. Nos próximos dias, eles deverão apresentar pelo menos outras sete denúncias criminais contra Zeca.Entre 2005 e 2006, o governo desembolsou R$ 56, 8 milhões em favor de 13 agências. Duas delas, a Agilitá e a 2000 Propaganda, são acusadas por uso de notas fiscais forjadas, despachadas de uma gráfica fantasma de Uberaba (MG).No dia 24, a promotoria convocou Ivanete para falar especificamente sobre documento com a rubrica de Zeca, que autorizou liberação de R$ 257, 4 mil a três agências, entre elas a Agilitá e a 2000. O ato foi baixado a apenas três dias do término do mandato do petista.O documento que chamou a atenção dos promotores é a Comunicação Interna (CI) 1046/06, emitido pelo gabinete da Secretaria de Coordenação-Geral de Governo, que teria abrigado o núcleo do esquema. Raufi Marques era o secretário da pasta. Ele e Zeca são os principais alvos da devassa que o Ministério Público promove.Cópia da CI 1046, com o endosso do ex-governador, foi encontrada no carro de Idenir Leite Martins Rezende, irmã de Ivanete.URGENTEAos promotores, Ivanete confirmou que a assinatura permitindo o repasse às agências é mesmo de Zeca. Ela contou que o papel não traz o carimbo padrão com a identificação do chefe do Executivo porque "se tratava de algo urgente, ou seja, pagamentos de final de ano".Os promotores registraram assim a afirmação de Ivanete: "A declarante foi ao gabinete do ex-governador para pegar a sua autorização, sendo que o sr. Melgarejo (Carlos Alberto Melgarejo), servidor comissionado, assessor do ex-governador, colheu a autorização para a declarante.""Como esta CI, houve várias outras", disse Ivanete. Contou que a divisão das Programações de Desembolsos (PDs) era indispensável "em função da disponibilidade financeira no momento".Sobre a CI 1046/06, Ivanete declarou que "essa autorização foi necessária porque o sr. Adenir, contador da Secretaria de Governo, não aceitou fazer a quebra das PDs nos últimos dias do mandato do ex-governador, a não ser que este autorizasse expressamente". Ela revelou que se reuniu várias vezes com assessor de Zeca do PT "para decidir quais fornecedores que seriam pagos no final do ano, em função da indisponibilidade financeira de o Estado quitar todos os débitos com fornecedores e agências de publicidade".

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