Tesoureiro do PT defende liberar doações de empresas a diretórios

Márcio Macêdo lembrou da situação de diretórios da sigla que ficaram endividados nas últimas eleições

ANA FERNANDES, VERA ROSA E RICARDO GALHARDO, ENVIADOS ESPECIAIS, O Estado de S. Paulo

12 de junho de 2015 | 14h53

Salvador - O tesoureiro nacional do PT, Márcio Macêdo, defendeu nesta sexta-feira, 12, que diretórios do partido que ainda carreguem dívidas de campanha do ano passado possam receber doações empresariais para quitá-las. Apesar de não admitir o uso do termo, seria uma exceção à resolução do partido em vigor desde abril que proibiu as doações empresariais a diretórios do PT.

"Não estamos falando de exceção, estamos falando de um processo que já existe, foram dívidas contraídas nesse regra e que ela possa ser paga na regra que está aí até zerar", disse a jornalistas o tesoureiro - que assumiu o posto após a prisão de João Vaccari na operação Lava Jato. A ideia também vem sendo defendida pelo presidente do diretório de São Paulo, Emídio de Souza. O diretório estadual é um dos mais endividados, no vermelho em R$ 55 milhões ainda referentes à campanha de Alexandre Padilha ao Palácio dos Bandeirantes.

Macêdo ressaltou que estava dando uma opinião "de ordem pessoal" e que a questão ainda seria apreciada pelo congresso da legenda, que acontece na capital baiana até este sábado, 13. Macêdo também se disse favorável ao que vem sendo defendido pelo presidente nacional do PT, Rui Falcão, de manter a resolução de abril até a próxima reunião do diretório nacional.

"Defendendo que o PT deve aguardar a definição do marco regulatório do País e a partir daí o diretório nacional delibere definitivamente sobre o assunto", afirmou.

Apesar da posição, tanto Macêdo como Falcão têm dado declarações pouco precisas desde a divulgação da resolução proibindo as doações empresariais, em abril. Diretórios estaduais foram contrários à medida por estarem com os caixas comprometidos com dívidas de campanha. Macêdo disse nesta sexta que a decisão do partido de não receber financiamento de pessoas jurídicas só se aplica ao diretório nacional. Dirigentes já disseram em outras ocasiões que a regra se aplicava a diretórios estaduais e nacional e até mesmo a diretórios municipais.

Quando do anúncio, em abril, Falcão disse que a decisão se aplicava a todo o partido, atingindo, portanto, todos os diretórios.

Macêdo disse aos jornalistas nesta sexta-feira que, apesar dessas posições, o PT continuará "resistindo na Câmara" e defendendo o financiamento público de partidos e campanhas.

O PT acabou pressionado depois que uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Reforma Política na direção contrária à sua resolução foi aprovada em primeira votação na Câmara. O texto da PEC libera as doações de empresas a partidos, mas não a candidatos. A resolução do PT diz justamente o contrário, veda os repasses a diretórios da legenda, mas não delibera sobre as doações a campanhas.

Plataforma de doações. Macêdo participou nesta manhã, ao lado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do lançamento da plataforma online para o PT receber doações individuais. Ele informou que o sistema passará a funcionar "em sua plenitude" a partir de amanhã. Questionado, Macêdo não deu uma estimativa de quanto a legenda pode arrecadar através da ferramenta. "Estou muito esperançoso de que a base do partido possa ajudar o PT a financiar suas contas e caminhar com as próprias pernas. Estamos com expectativa que essa campanha vai ser um sucesso", afirmou.

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