Tesoura em emendas de bancada atingiria aliados

Segundo levantamento do DEM, Estados governados por políticos afinados com o Planalto recebem mais

Eugênia Lopes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

09 de janeiro de 2008 | 00h00

A ameaça do governo de cortar na íntegra as emendas de bancada ao Orçamento de 2008 pode atingir em cheio os Estados comandados por aliados. Levantamento da assessoria do DEM mostra que, em 2007, os Estados de governadores afinados com o Planalto foram os grandes beneficiados com o pagamento de emendas de bancada.No ano passado, o Acre foi campeão no pagamento das emendas, apresentadas pelos seus oito deputados e três senadores: foram R$ 125,8 milhões para o Estado governado por Binho Marques (PT). A maioria dos recursos, R$ 79,8 milhões, foi paga em dezembro, durante a interinidade do senador Tião Viana - também acreano e petista - na presidência do Senado.Em dezembro, dos R$ 476,1 milhões efetivamente pagos em emendas, R$ 279,3 milhões foram para as emendas das bancadas estaduais. Depois do Acre, o Ceará foi o maior beneficiado - foram R$ 25,8 milhões para o Estado sob o comando de Cid Gomes (PSB), irmão do deputado Ciro Gomes (PSB-CE).Em seguida vem Roraima, que recebeu R$ 22,4 milhões em emendas apresentadas pelos seus oito deputados e três senadores. Apesar de ser governado por um tucano - o engenheiro José Anchieta Júnior, que assumiu o posto com a morte de Ottomar Pinto, em 11 de dezembro -, Roraima é o Estado do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB). Jucá perdeu a eleição para o governo, em 2006, mas recorreu à Justiça, alegando abuso de poder econômico. Ou seja, há chances de ele assumir o posto.TUCANOS E CPMFMesmo integrando um partido de oposição ao governo Lula, os governadores tucanos do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, e de Minas, Aécio Neves, também foram beneficiados com o pagamento de emendas de bancada. Em dezembro, o Rio Grande Sul recebeu R$ 19,6 milhões e Minas, R$ 18,6 milhões. Yeda e Aécio foram os governadores do PSDB mais empenhados em convencer os senadores do partido a votar a favor da prorrogação da CPMF até 2011.De acordo com o DEM, o governo privilegiou os parlamentares aliados também no pagamento das emendas individuais, em dezembro. Dos R$ 476,1 milhões liberados, R$ 10,5 milhões foram para as emendas apresentadas ao Orçamento de 2007 pelos 80 deputados e 12 senadores do PT. Bem abaixo, estão os 58 deputados e 14 senadores do DEM, que conseguiram R$ 5,493 milhões.A liberação de restos a pagar dos Orçamentos dos anos de 2006 e 2005 também contemplou Estados comandados por políticos aliados. Um exemplo é Pernambuco, governado pelo ex-ministro da Ciência e Tecnologia Eduardo Campos (PSB), que recebeu R$ 69,7 milhões ao longo do ano passado.

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