Terror apressa mudança na política de defesa brasileira

O ministro da Defesa, GeraldoQuintão, já tem em mãos a proposta para a nova política dedefesa nacional, que trata o terrorismo como "uma ameaça emescala planetária". O texto, que poderá ser submetido àaprovação do presidente Fernando Henrique Cardoso nos próximosdias, considera o ambiente internacional imprevisível e instável tornando imprescindível a manutenção de um aparato militar comcapacidade de combate real na eventualidade de uma agressão aoBrasil.A necessidade de reconfiguração das Forças Armadastambém é considerada na proposta. A idéia é que elas se tornemmais enxutas, porém tecnologicamente modernas, bem equipadas,dotadas de poder de fogo, mobilidade estratégica e prontidãooperacional.Segundo o projeto, Marinha e Aeronáutica já estão com osefetivos adequados, embora ainda necessitem de atualização deequipamentos e integração de sistemas. O Exército, por sua vez,passaria por uma revisão estrutural, com conseqüente redução deefetivos e substituição de carros de combate pesados por outrosmais leves. Todas as mudanças são projetadas para cenários dedécadas. O prazo para a consolidação de Forças Armadas maisleves e letais é de 25 anos.Mudanças - A atual política de defesa nacional, aprovadahá cinco anos, está sendo atualizada, para se adaptar à criaçãodo Ministério da Defesa. O documento que apresenta as mudanças,incluindo a nova política, é chamado Modernização do Sistema deDefesa Nacional. Elaborado a partir de sugestões deespecialistas civis e militares, sob a coordenação do assessordiplomático da Defesa, conselheiro José Luiz Machado da Costa,foi necessário um ano para a conclusão do texto. "É umaproposta com o objetivo de dotar o País de uma estrutura dedefesa mais moderna e mais forte", disse o diplomata.Pela proposta, as 20 diretrizes do atual plano nacionalde defesa foram resumidas em 11. Com isso, foram eliminados, porexemplo, trechos que propõem o fortalecimento de sistemasnacionais de transporte, energia e comunicações.Embora se reconheça que não é competência do Exército,da Marinha e da Aeronáutica enfrentar o terrorismo, a novapolítica dedica um artigo ao tema, mostrando que não estádescartada a possibilidade de que os militares venham a serchamados a apoiar eventuais medidas antiterroristas.Documentos - Além do projeto para uma nova política dedefesa nacional, há ainda dois documentos sigilosos sobre otema: Política Militar de Defesa e a Estratégia Militar deDefesa. O que trata da política militar estabelece os grandesobjetivos da defesa nacional e as diretrizes gerais de empregodas Forças Armadas.Algumas das diretrizes da política nacional de defesasão a participação em operações internacionais de paz, aumentodo intercâmbio com forças armadas amigas e ações paradesenvolver a faixa de fronteira, particularmente as do norte edo centro-oeste.A proposta de modernização do sistema de defesa épolêmico, embora seja fruto da apresentação de sugestão deespecialistas civis e militares. Ele traz à tona questões queenfrentarão resistência de alguns setores, como a redução deefetivos e os conceitos de segurança e defesa.

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