Terras griladas se associam a fraudes fiscais

Um estudo divulgado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) comprovou que a grilagem de terras está diretamente associada às fraudes fiscais contra o governo federal. O cruzamento de informações de órgãos públicos mostrou que, das 100 pessoas físicas com maiores áreas griladas, 47 estão com irregularidades no cadastro de pessoas físicas (CPF). E entre as 100 empresas com maiores áreas ilegais, 16 têm problemas no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNJP). O Perfil dos Proprietários Detentores de Grandes Imóveis Rurais foi feito somente com pessoas físicas e jurídicas que tiveram seus cadastros de terra cancelados junto ao Incra no ano passado e, mesmo notificados pelo órgão, não apresentarem documentação comprovando propriedade da terra. O estudo abordou parcela dos 1.899 latifúndios que perderam seus registros junto ao Incra no final do ano passado. As informações do Incra foram cruzadas com dados da Receita Federal. Segundo o ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann, o estudo mostrou que "ficou evidente que mesmo as empresas de ponta do país são suspeitas de grilagem." O ministro explicou que as terras griladas são utilizadas em fraudes junto a vários órgãos do governo, a exemplo da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), onde as glebas são apresentadas como garantia de projetos de desenvolvimento. Junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), os grileiros ofereceram terras em troca de dívidas, e aos bancos federais, são dadas em garantias de empréstimos. "A grilagem é uma forma de sonegação e de burlar o fisco", acusa o ministro.

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