Terra indígena não dificulta controle das fronteiras, diz Funai

Presidente da fundação nega pressão internacional por demarcação e aponta 'preconceito' contra índios

Roldão Arruda, de O Estado de S. Paulo,

18 de abril de 2008 | 15h55

Em entrevista ao Estado, o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Marcio Meira, rebateu nesta sexta-feira, 18, as afirmações de que as terras indígenas na Amazônia dificultam a vigilância das fronteiras: "As Forças Armadas estão presentes, com seus pelotões de fronteira, nestas terras, que pertencem à União. Não há nada que impeça os militares de vigiarem a fronteira. É bom lembrar também que metade dos soldados na região é constituída por índios, que são brasileiros, mesmo tendo uma cultura diferente." Meira reage às declarações do comandante Militar da Amazônia, general Augusto Heleno, contra a demarcação contínua das terras indígenas. Ele definiu a política indígena brasileira como "caótica" e "lamentável". LEIA A ÍNTEGRA DESTA REPORTAGEM NA EDIÇÃO DESTE SÁBADO Veja também: Lula quer manter demarcação da Raposa e retirar arrozeirosLula cobra general por crítica à reserva Raposa Serra do SolGaleria de fotos da Raposa Serra do Sol Saiba onde fica a reserva e entenda o conflito na região   O presidente da Funai também rechaçou as afirmações de que as terras indígenas estão sendo demarcadas por pressões internacionais e que os índios são usados por potências estrangeiras interessadas nas riquezas da região. "Esse é o discurso da dominação política, que as elites brasileiras utilizaram em todas as vezes que a população mais pobre se manifestou como protagonista. Sempre disseram que havia alguém por trás dos movimentos operários, das ações das populações miseráveis da zona rural. O próprio presidente Lula foi vítima desse preconceito quando liderou movimentos sindicais no ABC, nos anos 70. Diziam que não tinha estudos e que falava por alguém. Para a elite, as classes subalternas não têm capacidade de fazer, por si mesmas, qualquer manifestação." Márcio Meira também chamou a atenção para o fato de estar crescendo no País, especialmente nas regiões com maior presença indígena, o preconceito racial. "É possível perceber claramente uma visão racista e uma intolerância cultural, principalmente nas cidades onde a presença indígena é mais próxima. Esse preconceito tinha recuado nos anos 80, mas está voltando na forma de uma onda conservadora, muito preocupante." A Funai, segundo seu presidente, estima que o número de índios vivendo em aldeias em todo o País já chega a 550 mil. Líderes indígenas que se reuniram nesta sexta-feira, 18, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixaram o Palácio do Planalto afirmando que o presidente está comprometido com a manutenção da demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol em área contínua.  

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