André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Terra diz que família de jovem infrator pode até passar fome se perder Bolsa Família

Ministro discorda de visão manifestada por titular da Educação em entrevista ao 'Estado', mas afirma entender o que colega quis dizer

Vera Rosa, Brasília

11 de abril de 2019 | 14h46

O ministro da Cidadania, Osmar Terra, disse nesta quinta-feira, 11, não haver qualquer previsão para que pais de jovens infratores percam o direito de receber o benefício do Bolsa Família, como defendeu o novo titular da Educação, Abraham Weintraub.

"É opinião dele, né? O que ele está querendo dizer, na verdade, é que de alguma forma a família tem de ser responsabilizada. Acho que ela pode ser responsabilizada de várias maneiras, não necessariamente perdendo o Bolsa Família. Se ela não tiver outra fonte de renda, vai passar fome", afirmou Terra ao Estado. Em entrevista publicada pelo jornal nessa quarta-feira, 10, Weintraub defendeu a ideia com a ressalva de que, na sua avaliação, esse corte deveria ocorrer "no limite".  "Se o aluno agride, o professor tem de fazer boletim de ocorrência. Chama a polícia, os pais vão ser processados e, no limite, tem que tirar o Bolsa Família dos pais e até a tutela do filho", declarou o novo ministro.

Responsável pelo Bolsa Família, Terra disse entender, porém, que o colega quis apenas chamar a atenção para o problema: "Acho que ele procurou fazer uma imagem forte para dizer que há meios legais para responsabilizar a família do agressor".

Ao participar de cerimônia organizada pelo Palácio do Planalto para comemorar os cem dias de governo, Terra assegurou que a gestão do presidente Jair Bolsonaro pagará neste ano o 13º salário para beneficiários do programa. "Vão circular R$ 2,5 bilhões a mais no final do ano nos bairros dos municípios mais pobres do Brasil", afirmou o ministro. Atualmente, 13,7 milhões de famílias recebem o benefício.

Embora a garantia  de pagamento do 13° para o Bolsa Família tenha sido anunciada na cerimônia desta quinta, nenhum ato foi ainda assinado por Bolsonaro. O Planalto deve enviar uma Medida Provisória ao Congresso sobre o assunto no segundo semestre, por volta de outubro. A parcela adicional do Bolsa Família foi prometida por Bolsonaro na campanha eleitoral.

Questionado sobre de onde a equipe econômica vai tirar recursos para esse pagamento, em um momento de crise das contas públicas, Terra disse que desde o governo de Michel Temer, o programa vem passando por um pente-fino. "Já vínhamos fazendo um pente-fino que se reflete este ano", afirmou ele, que foi ministro do Desenvolvimento Social sob Temer. "Só em auxílio-doença, por exemplo, houve queda de R$ 15 bilhões. Há recursos acumulados ao longo do tempo que ficaram no Tesouro e estão sendo agora utilizados para esta finalidade", destacou.

Terra observou, ainda, que sempre houve fila para o recebimento do Bolsa Família, mas agora não há mais. "No pente-fino saiu quem não precisava (do benefício) e entrou quem precisava. Acabou a fila. Quem se inscreve em um mês já está no programa no mês seguinte", disse.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.