Termina em 'saia justa' julgamento dos 40 do mensalão

Ellen Gracie defendeu agilidade do Supremo; ministro Celso de Mello rebateu

Leonencio Nossa, da Agência Estado,

28 de agosto de 2007 | 19h38

Terminou em "saia justa" e mal-estar o julgamento histórico da denúncia do mensalão. Após encerrar o exame das acusações contra os 40 denunciados, a presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Ellen Gracie, aproveitou os holofotes para afirmar que a instituição é ágil na análise de processos contra deputados e senadores.   Veja também:      Passo-a-passo do julgamento do mensalão no STF   Veja imagens do quarto dia de julgamento  Conjur explica diferenças de processo no caso dos mensaleiros  Quem são os 40 do mensalão  Deputados na mira: os cassados, os absolvidos e os que renunciaram  Entenda: de uma câmera oculta aos 40 do mensalão  Íntegra do relatório do ministro Joaquim Barbosa  Íntegra da denúncia do procurador-geral  Veja os 40 acusados no mensalão    Julgamento no STF mostra que "ninguém está acima da lei" Decisão do STF deve ter impacto no governo   Ela observou que "não mais" de 50 ações penais tramitam no tribunal, sendo que a mais antiga tem apenas quatro anos. "São equivocadas algumas opiniões sobre esta casa", disse. "É importante que se restabeleçam verdade, pois esta casa se credencia perante a nação pelo seu desempenho notável."   O ministro Celso de Mello pediu a palavra para dizer que o Supremo não era o local adequado para julgar ações penais, que tem como clientela absoluta senadores e deputados. Ele criticou o foro privilegiado a parlamentares, julgados exclusivamente no Supremo, que acabam atrasando o exame de outras questões importantes para a sociedade.   Mello lembrou que esse direito é um resquício da emenda constitucional número 1, chamada carta de 1969, imposta pela ditadura militar. "O Supremo não tem competência para processar e julgar deputados e senadores", disse.   Os demais ministros demonstraram surpresa com as declarações de Mello. Para minimizar o clima, o ministro Carlos Ayres Britto rasgou elogios à "organização" da presidente do Supremo durante o "complexo" julgamento. "Somos testemunhas do esforço feito por Vossa Excelência para que tudo ocorresse bem."

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