Termina em impasse reunião entre Arruda e cúpula do DEM

Segundo Maia, uma parte do partido defende expulsão, enquanto outra acha que é preciso avaliar explicações

Marcelo de Moraes, de O Estado de S.Paulo,

30 de novembro de 2009 | 17h14

Manifestantes pedem a prisão do governador José Roberto Arruda, em frente a residência oficial

 

Terminou em impasse nesta segunda-feira, 30, a reunião do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, com a cúpula de seu partido, o Democratas (DEM). O governador se recusa a pedir desligamento e quer prazo para apresentar sua defesa, enquanto lideranças do partido pedem que ele deixe a legenda. Arruda recebeu os dirigentes do DEM com os seus advogados para mostrar que tem argumentos jurídicos convincentes para apresentar defesa contra as acusações de recebimento de propina dentro de um suposto esquema de corrupção no DF.

 

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No entanto, não houve unidade entre os Democratas sobre que posição deve ser tomada, mas os líderes do partido no Senado, José Agripino Maia (RN); na Câmara, Ronaldo Caiado (GO); e o senador Demóstenes Torres (GO), defenderam a tese mais radical de um processo sumário de expulsão.

 

O senador José Agripino revelou, depois da reunião, que foi um dos defensores dessa chamada "tese mais radical" e que outros não tiveram uma posição tão explícita. Ele admite, no entanto, que a preocupação em apressar uma definição é comum a todos. A Executiva Nacional do DEM deve ser convocada para uma reunião de emergência na terça-feira, possivelmente de manhã, para tratar do assunto. .

 

O presidente nacional DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), disse ao Estado de S.Paulo que Arruda deverá divulgar uma nota explicando sua situação política. Maia não quis revelar o conteúdo da nota do governador, mas afirmou que, durante o encontro ocorrido na tarde desta segunda com a cúpula do DEM, Arruda fez uma apresentação das suas explicações para o suposto recebimento de verbas repassadas pelo seu ex-secretário Durval Barbosa.

 

A cúpula do Democratas está novamente reunida, desta vez na casa do líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), para avaliar as explicações apresentadas pelo governador. "Ele fez explicações bastante técnicas sobre as denúncias. Mas não posso dizer qual será a decisão do DEM sobre o caso, porque precisamos conversar sobre suas justificativas", diz Maia.

 

Correntes

 

Segundo o dirigente do partido, existem correntes que defendem o rito sumário de expulsão do governador, mas outro grupo, integrado por ele próprio, acha que é preciso aguardar um pouco para avaliar as explicações do governador. O suposto esquema de corrupção no governo do Distrito Federal foi revelado pela Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. Imagens gravadas durante a investigação mostram os bastidores do suposto mensalão dentro do Governo do Distrito Federal.

 

A reunião do comando nacional do DEM para discutir o futuro do governador e do vice-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda e Paulo Octávio, respectivamente, terminou sem um pronunciamento oficial sobre a decisão do partido. Arruda e Octávio são investigados pela Polícia Federal por participação num suposto esquema de corrupção no governo do DF.

 

Após o encontro na residência oficial de Águas Claras, em Brasília, todas as lideranças do DEM deixaram o local sem falar com a imprensa.

 

No encontro, os líderes do DEM discutiram o futuro de Arruda e Octávio no partido, depois da revelação do esquema de corrupção que seria comandado pelo governador, segundo denúncia de um ex-secretário de Estado.

 

Panetone com nariz de palhaço

 

Enquanto transcorria a reunião, cinco militantes da Juventude Socialista do PDT - partido que ocupa três Secretarias de Estado no governo do Distrito Federal -, faziam manifestação do lado de fora. Eles exibiram uma faixa com as expressões "Arruda na Papuda" e "P.O. no Xilindró". Papuda é o nome do presídio de segurança máxima do Distrito Federal. "P.O." é como os amigos chamam o vice-governador, Paulo Octávio.

 

Na manifestação, os militantes do PDT exibiam caixas de panetone em frente à guarita da residência oficial. Uma das versões divulgadas por envolvidos no escândalo para explicar a razão da distribuição de dinheiro foi a de que os valores eram usados na compra de panetones que seriam distribuídos entre moradores pobres do Distrito Federal.

 

A decisão que o DEM adotar em relação à permanência ou afastamento de Arruda e P.O. do partido afetará o presidente da Câmara Legislativa, deputado Leonardo Prudente, que também é filiado à legenda. Prudente convocou uma entrevista coletiva para a tarde desta segunda-feira. Além dele, são acusados de envolvimento no esquema de corrupção deputados distritais, secretários de Estado e empresários.

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